Publicado 20 de Abril de 2021 - 14h40

Por AFP

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconheceu nesta terça-feira (20) que os coágulos sanguíneos devem ser considerados como efeitos colaterais "muito raros" da vacina contra a covid-19 da Johnson & Johnson, cujos benefícios ainda são maiores que os riscos.

A decisão do órgão regulador europeu ocorre poucos dias antes de as autoridades de saúde dos Estados Unidos se pronunciarem sobre o imunizante da Johnson & Johnson, em um momento em que a vacinação se estende a toda a população do país.

A EMA, com sede em Amsterdã, reconheceu "um possível vínculo" entre a vacina deste laboratório americano e casos de coágulos sanguíneos, que devem ser incluídos como "efeitos colaterais muito raros" do produto.

O órgão concluiu "que uma advertência sobre coágulos sanguíneos raros com plaquetas sanguíneas baixas deve ser adicionada às informações do produto".

É uma decisão importante, já que vários países europeus contam com esta vacina para acelerar sua campanha de imunização.

Nos Estados Unidos, a vacina da Johnson & Johnson deve receber uma nova autorização, talvez acompanhada de "restrições", segundo o consultor médico da Casa Branca Anthony Fauci, que disse que um anúncio será feito na sexta-feira.

As autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendaram na semana passada uma "pausa" no uso da Johnson & Johnson após a detecção de casos graves de coágulos sanguíneos em várias pessoas.

Esta vacina teve um novo contratempo nos EUA, onde as autoridades reguladoras ordenaram na segunda-feira a suspensão da produção em uma fábrica, onde 15 milhões de doses foram danificadas.

A Índia enfrenta um aumento grave dos contágios, com os hospitais em ponto crítico. O governo impôs novamente as restrições, incluindo um confinamento de uma semana na capital Nova Délhi, onde vivem 20 milhões de pessoas.

O cemitério de Jadid Qabristan Ahle, na capital indiana, recebeu onze corpos em três horas, constatou a AFP. No fim do dia, 20 pessoas foram enterradas. "Neste ritmo, dentro de três ou quatro dias não haverá mais espaço", comenta Mohamed Shamim, coveiro de 38 anos.

O gigantesco país de 1,3 bilhão de habitantes tomou a decisão na segunda-feira de "permitir que todas as pessoas maiores de 18 anos se vacinem a partir de 1º de maio", segundo o ministério da Saúde.

Ao menos 53 passageiros de um voo entre Nova Delhi e Hong Kong deram positivo ao coronavírus, informaram nesta terça-feira as autoridades de Hong Kong, que proibiram os voos procedentes da Índia, Filipinas e Paquistão para evitar um aumento dos casos.

No Japão, a prefeitura de Osaka pediu ao governo central para impor um novo estado de emergência devido ao grande aumento dos casos de covid-19. "Acho que é o momento de tomar medidas enérgicas", disse hoje Hirofumi Yoshimura, o governador da cidade.

Tóquio e outras áreas também devem adotar medidas com a esperança de evitar a crise enfrentada pelo sistema de saúde de Osaka.

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