Publicado 20 de Abril de 2021 - 11h20

Por AFP

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, apoiou a Uefa nesta terça-feira na sua oposição ao lançamento da Superliga Europeia, torneio independente criado por doze grandes clubes, que segundo o dirigente da entidade que rege o futebol mundial "terá de enfrentar as consequências" se persistirem em seu objetivo.

A declaração de Infantino, apresentada na abertura do Congresso da Uefa na cidade suíça de Montreux, que reúne 55 federações nacionais, era especialmente aguardada, apesar de no passado o ítalo-suíço e o presidente da entidade continental, Aleksander Ceferin, terem entrado em conflito várias vezes.

Infantino foi claro desde o início, afirmando que "não há a menor dúvida" de que a Fifa "desaprova veementemente" o projeto da Superliga Europeia, lançada na segunda-feira.

Considera esta nova competição "um clube fechado" e "dissidente das instituições existentes", algo que deve fazer com que seus integrantes tenham de "enfrentar as consequências" se levarem este projeto à frente.

"Ou você está dentro ou está fora. Você não pode estar metade dentro e metade fora", acrescentou o dirigente, mais uma vez acenando com a ameaça de exclusão dos times da Superliga e seus jogadores de todas as competições nacionais e internacionais, sem contudo citar medidas concretas.

"Promoção e queda são um modelo que tem dado certo", avaliou o dirigente, apresentando sua oposição a um sistema de liga quase fechado em que os clubes fundadores têm garantida a participação a cada temporada, ao invés da atual fórmula da Liga dos Campeões, em que times precisam conquistar a vaga através de seu desempenho nos campeonatos nacionais.

A Uefa vai precisar da Fifa para as eventuais represálias que pretende aplicar aos clubes dissidentes, incluindo a possibilidade de impedir que os jogadores destas equipes joguem com as suas seleções nacionais e sejam impedidos de participar da Copa do Mundo.

Minutos antes do pronunciamento de Infantino, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, também havia criticado no Congresso da Uefa o projeto da Superliga Europeia, criado por seis clubes ingleses (Arsenal, Chelsea, Tottenham, Liverpool, Manchester City, Manchester United), três espanhóis (Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid) e três italianos (Juventus, Milan, Inter de Milão).

"O modelo desportivo europeu é uma abordagem única (...) fundada na abertura de uma competição leal que prioriza o mérito desportivo. Esse modelo está agora ameaçado (...) face ao desafio de uma abordagem puramente orientada para o lucro ", lamentou.

Aleksander Ceferin foi muito veemente na véspera em seu veto ao torneio independente, considerando que foi criado por alguns dirigentes esportivos que agiram como "cobras" guiadas "pela ganância".

O dirigente esloveno deixou uma porta entreaberta para a reconciliação na terça-feira, enviando uma mensagem aos responsáveis pelos clubes na qual disse que "eles ainda têm tempo para mudar de ideia".

Mas por enquanto a situação parece estar distante de um acordo e uma dúvida começa a circular pelas semifinais da Liga dos Campeões, marcada para a próxima semana, onde três das quatro equipes, Real Madrid, Chelsea e Manchester City, fazem parte do grupo de dissidentes. O único semifinalista que não faz parte do novo projeto é o Paris Saint-Germain.

Dane Jesper Moller, membro do Comitê Executivo da Uefa, disse esperar que o encontro da entidade na sexta-feira conduza à decisão de excluir os três dissidentes.

O presidente do Real Madrid e primeiro presidente do órgão que gere a Superliga Europeia, Florentino Pérez, não vê possível esta exclusão da equipe "merengue" da atual edição da Liga dos Campeões.

"Isso não vai acontecer, é impossível", declarou Pérez no programa de televisão espanhol El Chiringuito.

A Federação Alemã de Futebol (DFB) solicitou nesta terça-feira que os doze clubes fundadores da Superliga Europeia sejam excluídos de todas as competições.

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