Publicado 20 de Abril de 2021 - 8h50

Por AFP

Nas imagens, eles caminham pelas ruas de Salisbury para assassinar, segundo as autoridades britânicas, um ex-agente duplo. O mundo inteiro conhece os rostos dos supostos espiões, símbolo das operações brutais de Moscou no exterior.

"Alexander Petrov" e "Ruslan Boshirov" - nomes fictícios - voltaram a dar o que falar no fim de semana: a polícia tcheca suspeita do envolvimento da dupla na explosão de um depósito de munições em Vrbetice que deixou dois mortos em 2014.

Supostos agentes do GRU, o serviço de inteligência militar russo, sua forma de operar delata as atividades secretas de Moscou: expeditas, temerárias e sem receio de consequências.

Em 2018, Serguei Skripal, ex-membro do GRU que fugiu para o Ocidente, foi encontrado inconsciente no banco de uma praça de Salisbury, Reino Unido. A maçaneta da porta de sua casa teria sido molhada com Novitchok, um potente agente nervoso.

Apesar da audácia da operação, Skripal sobreviveu. Porém, uma mulher que não tinha nenhuma relação com o caso faleceu. Um dano colateral.

Londres acusou os dois russos: seus rostos e seus deslocamentos foram gravados por câmeras de segurança no aeroporto e nas ruas da pequena cidade inglesa.

O site de investigação Bellingcat revelou seus nomes, sua história e todos os detalhes da operação.

A pista? Um "elo de estupidez", que virou alvo de zombaria da imprensa britânica: o carro pessoal de um deles estava registrado no GRU e seus passaportes falsos foram emitidos praticamente ao mesmo tempo.

Como se não bastasse, os dois foram entrevistados pela diretora do canal RT, favorável ao Kremlin, Margarita Simonyan. "Petrov" e "Boshirov", nitidamente incomodados, deram respostas cômicas e se apresentaram como "turistas".

De acordo com as autoridades tchecas, os dois também estão envolvidos na destruição de um depósito de munições que até agora era considerado um acidente.

Os investigadores, segundo a BBC, começaram a seguir a pista de "Petrov" e "Boshirov" com base em uma mensagem enviada pela Guarda Nacional do Tadjiquistão à empresa que administrava o armazém, solicitando acesso para os dois homens com uma cópia dos passaportes.

Desde sábado à noite, as redes sociais russas se divertem com os memes dos dois agentes, identificados em duas ocasiões. "Petrov e Boshirov seria uma excelente série! Melhor que James Bond", brincava uma mensagem no Twitter.

O analista militar Alexander Golts disse à AFP que, no caso da República Tcheca, os dois homens "cumpriram sua missão", pois foram identificados seis anos depois.

"Cedo ou tarde, um agente, particularmente se é um sabotador, será descoberto", disse.

Mas os problemas de Petrov e Boshirov não são os únicos. Em 2018, quatro russos foram expulsos da Holanda, acusados de tentativa de hackear a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

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