Publicado 19 de Abril de 2021 - 21h30

Por AFP

União Europeia e Estados Unidos fizeram soar alertas nesta segunda-feira (19) pelo que destacaram ser uma concentração maciça de tropas determinada pela Rússia na fronteira com a Ucrânia e na Crimeia.

A concentração de tropas determinada pela Rússia na fronteira com a Ucrânia e na Crimeia é a "maior registrada" nesta região e alcança 100.000 soldados, denunciou nesta segunda o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

O Departamento da Defesa americana se absteve de dar um número, mas seu porta-voz, John Kirby, afirmou que "é a maior mobilização que já vimos desde 2014, o que desembocou na violação da soberania e integridade territorial da Ucrânia".

"Não vou dar um número específico", acrescentou. "É certamente maior do que a última, em 2014".

O discurso de Borrell, que inicialmente deu conta de 150.000 efetivos russos, foi corrigido discretamente pelo Serviço de Ação Exterior da UE e na versão publicada na internet às 20h15 (15h15 de Brasília) alterou o número para 100.000, com um asterisco explicando que se tratava de uma correção.

Segundo Borrell, com tamanha mobilização militar, "o risco de uma escalada maior é evidente".

Os Estados Unidos consideraram este deslocamento como "muito preocupante" e pediram à Rússia para "esclarecer suas intenções", continuou o porta-voz do Pentágono. "Não acreditamos que esta mobilização seja propícia para a segurança e a estabilidade na fronteira com a Ucrânia e certamente que não na Crimeia ocupada".

Os chanceleres dos 27 países da União Europeia iniciaram uma reunião por videoconferência para discutir a dramática escalada das tensões entre a Ucrânia e a Rússia.

"Este reforço militar deve cessar e pedimos à Rússia que inicie uma desescalada", disse o chefe da diplomacia europeia.

Durante o dia, os chanceleres europeus discutiram o dramático agravamento das tensões entre a Ucrânia e a Rússia, e em determinado momento acrescentaram o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, à videoconferência.

O ucraniano chegou a apresentar no Twitter um plano para convencer a Rússia a interromper a escalada das tensões.

Para Kuleba, "o elemento-chave é a preparação de uma nova série de sanções setoriais. As sanções individuais não são mais suficientes".

Em seus comentários, no entanto, Borrell jogou um balde de água gelada na reivindicação de Kuleba por sanções generalizadas da UE contra Moscou neste momento.

"Não estamos rumando para novas sanções por enquanto. Não é o que está surgindo" no horizonte, disse ele.

Em vez disso, reforçou o apoio às autoridades ucranianas.

"Parabenizamos a Ucrânia por sua contenção e defendemos a soberania e integridade de seu território. A UE não reconhecerá a anexação da Crimeia pela Rússia", disse ele.

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