Publicado 19 de Abril de 2021 - 18h20

Por AFP

O procurador no julgamento sobre a morte do afro-americano George Floyd pediu nesta segunda-feira (19) aos membros do júri que condenassem o ex-policial branco acusado de assassinato, observando que a prisão do homem negro, registrada em vídeo, foi um "chocante abuso de autoridade".

Derek Chauvin é acusado de ter matado Floyd em 25 de maio de 2020 ao prendê-lo em Minneapolis, no norte dos Estados Unidos, o que gerou protestos contra a injustiça racial e a brutalidade policial em todo o mundo.

"Este caso é exatamente o que eles pensaram quando viram o vídeo pela primeira vez", afirmou o procurador Steve Schleicher nos argumentos finais do julgamento de Chauvin.

"Usem o bom senso", disse o procurador ao júri. "O que viram, eles viram".

"Podem acreditar no que viram", insistiu Schleicher. "É exatamente o que sabiam, é o que sentiram nas entranhas, é o que agora sabem no fundo do coração".

Chauvin foi filmado ajoelhado sob o pescoço de Floyd, que ficou imobilizado com o rosto para baixo e algemado ao chão por mais de nove minutos, suplicando: "Não consigo respirar".

"Não se tratou de vigilância policial, mas de assassinato", observou Schleicher. "Nove minutos e 29 segundos de chocante abuso de autoridade".

"O réu é culpado de todas as três acusações. E não há desculpa", ressaltou.

Chauvin, um veterano de 19 anos do Departamento de Polícia de Minneapolis, pode pegar um máximo 40 anos de prisão se for condenado pela acusação mais grave: homicídio em segundo grau.

Além disso, o policial enfrenta acusações de homicídio em terceiro grau e homicídio culposo.

Segundo o procurador, Floyd "pediu ajuda com seu último suspiro", mas Chauvin não o atendeu.

"Ele não seguiu o treinamento, não seguiu as regras de uso da força do departamento, não fez ressuscitação cardiopulmonar", argumentou.

"George Floyd não era uma ameaça para ninguém", disse Schleicher. "Ele não estava tentando machucar ninguém".

O advogado do ex-policial, Eric Nelson, pediu a absolvição de seu cliente, alegando que a acusação não tinha conseguido apresentar provas irrefutáveis sobre sua culpa na morte de Floyd.

O julgamento de Chauvin coincidiu com o aumento da tensão devido a duas outras mortes de pessoas negras por policiais brancos, que tiveram uma grande repercussão.

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