Publicado 02 de Março de 2021 - 11h25

Por Da redação

Proprietários de bares e restaurantes reunidos ontem em assembleia no Largo do Rosário: pedido de lockdown será protocolado na Prefeitura

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Proprietários de bares e restaurantes reunidos ontem em assembleia no Largo do Rosário: pedido de lockdown será protocolado na Prefeitura

Diante do agravamento dos casos de covid-19 no Estado de São Paulo e da consequente decretação da Fase Laranja, a Associação de Bares, Restaurantes e Similares de Campinas (Abresc) fez um protesto no Centro, na tarde ontem (1º), para pedir que a Prefeitura decrete um lockdown de uma semana.

Com a Fase Laranja, bares não podem abrir e os restaurantes e comércios são autorizados a ficar abertos até as 20h. Por isso, representantes da entidade realizaram uma assembleia no Largo do Rosário para votar o pedido de lockdown que a associação pretende protocolar na Prefeitura de Campinas.

Os manifestantes fizeram o ato com um carro de som, que foi estacionado na Rua General Osório, ao lado do Largo do Rosário. O presidente da Abresc, Wendell Alves, 46 anos, foi o primeiro a falar ao microfone. Ele criticou a decisão do Governo de São Paulo e cobrou o prefeito Dário Saadi (Republicanos) para que seja "decretado o lockdown ou o setor vai declarar a falência".

Alves explica que o fechamento de todos os setores, inclusive "da própria Prefeitura", vai ajudar a desafogar o sistema de saúde, que tem 90,69% dos leitos de UTI-Covid ocupados.

"A gente não pode assistir mais esse abre e fecha somente do nosso setor. Somos os únicos prejudicados, seja economicamente, ou em termos de reputação. Parece que a culpa das contaminações é só dos bares e restaurantes. Não vamos permitir que nosso setor leve a culpa pelos casos da doença. E os ônibus lotados? E as igrejas lotadas?", questiona o presidente da Abresc que disse que a entidade também vai cobrar a administração pública sobre a quantidade de leitos UTI-covid.

Alves lembra que em junho de 2020 Campinas contava com 423 leitos, quantidade que foi reduzida. "O prefeito tem responsabilidade. O governo não vem fazendo a parte dele. Cadê os leitos que tínhamos no período antes das eleições municipais? É um total desgoverno do Doria e do Dario", aponta.

O grupo de empresários e trabalhadores presente na assembleia acenava, em sinal de concordância, com cada declaração do presidente da Abresc. Para Guedes Rodrigues, de 48 anos, proprietário de um bar no bairro Botafogo, determinar o fechamento somente de bares e restaurante "é uma hipocrisia". De acordo com ele, as restrições ao setor só causam incerteza nos empresários e na população.

Rodrigues revela ainda que antes de março, quando o isolamento da pandemia teve início, havia investido no isolamento acústico do seu estabelecimento. Desde então, ele não conseguiu recuperar o valor e teve que demitir funcionários.

"Eu estou no prejuízo. Ficamos fechados por oito meses e justamente quando estávamos abrindo para tentar recuperar o tempo e dinheiro perdido, somos novamente penalizados. É uma hipocrisia porque parece que as pessoas só pegam o vírus em bares e não nos ônibus lotados, por exemplo", critica Rodrigues.

Amanda Alves, 35 anos, também concorda com a medida proposta pela Abresc. Ela trabalha como gerente de um bar e acredita que "não é justo somente o setor levar a culpa pelo crescimento nos números de casos de covid-19". Campinas registrava, até ontem, 69.479 casos positivos de covid-19 e 1.862 mortes pela doença.

"Ficamos fechados muitos meses e isso impactou na renda de muitas famílias. Tivemos demissões onde trabalho e tínhamos a expectativa das coisas melhorarem um pouco com a abertura gradual. Todos os outros comércios abrem, como os shoppings. A contaminação não acontece só nos bares, que tem feito um trabalho seguindo os protocolos de segurança", aponta Amanda.

Além do lockdown, o presidente da Abresc conta que vai pedir que a Câmara Municipal proponha a isenção de impostos enquanto os estabelecimentos do setor estiveram fechados. Segundo ele, "é uma questão de sobrevivência".

O Correio Popular questionou a Prefeitura sobre a possibilidade de um lockdown na cidade e sobre as reivindicações da Abresc. A Prefeitura, no entanto, não retornou o contato da reportagem.

 

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