Publicado 01 de Março de 2021 - 14h37

Por Edson Silva/ Correio Popular

Delegado José Henrique Ventura afirma que divulgação de informações inventadas ou exageradas sobre crimes tem ocorrido com frequência

Cedoc/ RAC

Delegado José Henrique Ventura afirma que divulgação de informações inventadas ou exageradas sobre crimes tem ocorrido com frequência

Crimes e operações policiais acabam se transformando em verdadeiras bolas de neve nas redes sociais. A cada encaminhamento ou compartilhamento, os fatos vão sendo acrescidos de informações falsas e imaginárias, ganhando dimensões que chegam até mesmo a tumultuar e prejudicar as próprias investigações da polícia.

O delegado José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária (Deinter 2) de Campinas, alerta que as pessoas devem utilizar suas redes com mais responsabilidade e, assim, evitar atrapalhar o trabalho desenvolvido pelas forças de segurança.

Chefe da Polícia Civil de Campinas e de 37 cidades da região, José Henrique Ventura nem se refere propriamente aos tradicionais trotes, que por si só são crimes por levarem policiais e outros servidores das áreas de segurança e de emergências, inclusive médicas, a deslocarem recursos humanos e materiais para uma situação falsa de crime ou acidente, prejudicando o atendimento da sociedade.

Lembrando que as pessoas têm o direito legítimo de se manifestar, o delegado destaca a necessidade de serem responsáveis e verificarem a veracidade das informações antes de divulgar ou compartilhar imagens ou áudios.

"Não detectamos, ainda, na maioria desses casos, alguma ação organizada de criminosos", disse o diretor do Deinter 2, que atribui essas ocorrências ao hábito das pessoas acrescentarem informações ao fato real, sejam elas verdadeiras ou não. "É por isso que é muito importante a Polícia e outras instituições, como a imprensa, tratarem a informação com rapidez e, principalmente, muita clareza e confiabilidade", salientou o delegado. Ele acredita que esse tipo procedimento ao menos minimiza a possibilidade de deturpação de um determinado fato.

Casos

O delegado José Henrique Ventura aponta, como exemplo, o recente caso da mulher, de Itapira, que estava presa acusada de matar e ocultar o corpo da filha — Ísis Helena, de 1 ano e onze meses. A mãe, Jennifer Natalia Pedro, foi encontrada morta em sua cela, na Penitenciária de Tremembé, com um lençol no pescoço. Poucos minutos após a morte da mulher, centenas de mensagens foram divulgadas nas redes sociais dizendo que ela tinha sido assassinada, das mais variadas formas possíveis. A Polícia Civil divulgou a informação de que o caso, oficialmente, foi registrado como suicídio, o que a investigação técnica confirmará ou contestará nos laudos periciais.

Situações semelhantes ocorrem praticamente todos os dias, principalmente em ações nas quais são empenhados grandes efetivos policiais. Uma simples perseguição a um suspeito de roubo ou furto de carro pode se transformar, nas redes sociais, em um megarroubo a carro-forte, com direito a espalhar boatos de que os ladrões estavam lançando maços de dinheiro para o ar como forma de as pessoas promoverem tumultos para atrapalhar a fuga deles. Na realidade, foi apenas um roubo de carro praticado por um ladrão solitário que, após permanecer escondido numa tubulação de esgoto, foi preso em flagrante por policiais que o localizaram pelo mau cheiro.

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Edson Silva/ Correio Popular