Publicado 01 de Março de 2021 - 11h00

Por Tássia Vinhas/ Correio Popular

A Rua Dr Thomaz Alves, no Centro, permaneceu vazia durante a manhã de ontem: às vésperas do retorno de Campinas à fase laranja

Ricardo Lima/ Correio Popular

A Rua Dr Thomaz Alves, no Centro, permaneceu vazia durante a manhã de ontem: às vésperas do retorno de Campinas à fase laranja

Um dia depois de o Governo do Estado de São Paulo reclassificar Campinas de volta para a fase laranja, nas ruas muitos moradores da cidade ainda estão sem entender muito bem o que vai acontecer. "Eu estou um pouco perdida ainda, porque a escola toda hora está mudando. Às vezes tem atividade a semana inteira, às vezes somente em dois dias. Estou bem atrapalhada", admitiu, ontem, a estudante Luiza Navarro.

Para quem tem comércio do ramo alimentício, a situação é ainda mais complicada. Alexandre Nascimento tem uma lanchonete no Centro e sente a diferença a cada novo anúncio do governo. "Quando fecha, o movimento cai porque as pessoas ficam com medo de sair de casa, o que dificulta muito a nossa sobrevivência. Eu acho que as autoridades estão muito perdidas, e a gente fica igual. Eu já precisei mandar uma funcionária embora porque o movimento caiu 80%. Se na semana que vem não puder funcionar mesmo, eu vou ter que fechar as portas de vez, porque não tenho mais fôlego", desabafou. A queda no número de pessoas circulando pela região central foi perceptível ontem.

Na Rua Thomaz Alves, onde estão localizados comércios tradicionais da cidade, o movimento estava bem diferente do que costuma acontecer em dias considerados normais. "Anteriormente, a esta hora, não haveria vaga para estacionar o carro. Seria preciso dar várias voltas até encontrar um espaço. Agora, basta olhar: tem vaga para escolher", apontava Aparecido Germano, que trabalha como segurança na rua há 18 anos. Leandro Gomes, dono de uma loja de roupas, também tinha a mesma percepção.

"Esta semana, quando surgiram rumores de que tudo iria fechar, a rua ficou parada. Eu não entendi nada. Na verdade, a gente fica sem saber o que fazer, né?", reclamou o comerciante. Na Rua 13 de maio, principal ponto de comércio do Centro, o vaivém de pessoas também estava mais tímido em comparação com outros dias. O único local com mais movimento era o Mercado Municipal, mas mesmo assim nada perto do que os comerciantes estão acostumados a presenciar.

A reclassificação de Campinas para a fase laranja vale a partir de amanhã, segunda-feira. Nesta fase, os restaurantes e similares poderão funcionar das 6h às 20h, com 40% de ocupação e não haverá duas horas de tolerância como anteriormente. Os bares não poderão ter atendimento presencial, sendo permitida apenas retirada ou serviços de delivery. As demais atividades que gerem aglomeração continuam proibidas.

A reclassificação também altera o funcionamento das escolas da rede privada. Na fase amarela, a capacidade em salas de aula era de 70%. Na laranja, cai para 35%. As atividades presenciais no ensino superior estão proibidas, com exceção dos cursos da área de saúde, que podem funcionar com capacidade de 100%.

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