Publicado 01 de Março de 2021 - 10h46

Por Da redação

Imagem aérea do Centro de Convivência Cultural, em Campinas: reforma já dura dez anos

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Imagem aérea do Centro de Convivência Cultural, em Campinas: reforma já dura dez anos

Todo os dias, o porteiro Anedino José dos Santos, de 57 anos, repete o mesmo ritual antes de ir trabalhar em um prédio na Rua Maria Monteiro no Cambuí, em Campinas. Ao descer do ônibus na Avenida Júlio de Mesquita, após ter partido da rodoviária, o porteiro passa pela Praça Imprensa Fluminense e se senta em um dos bancos protegidos pela sombra das árvores.

Como Santos, que mora em Sumaré, sempre chega na região do seu emprego antes do horário de entrada, às 13h30, ele aproveita o tempo livre para curtir a tranquilidade da praça enquanto lê ou conversa com alguém pelo smartphone.

Os bancos da praça, aliás, parecem ser um refúgio de calmaria para quem trabalha ou mora nos arredores, como Alessandra Gutierrez Bento, de 43 anos, que é contadora em uma organização não governamental próxima dali, e aproveita para respirar o ar livre durante o horário de almoço. Já o estudante de administração, Nicolas Oliveira, de 21 anos, por sua vez, mora próximo da praça e passa frequentemente pelo local.

O que essas três pessoas tem em comum é o desejo de um dia poder frequentar o Centro de Convivência Cultural de Campinas, que está fechado por problemas estruturais desde 2011. Inaugurado em 9 de setembro de 1976, com um projeto do arquiteto Fábio Penteado, o Centro de Convivência já foi alvo de inúmeras polêmicas que envolvem contínuos atrasos de obras e até mesmo um questionamento do processo de licitação na Justiça.

Para quem assiste todos os dias aquele importante prédio público fechado, a sensação é de que o Centro de Convivência nunca esteve aberto. "Eu passo aqui todos os dias há 12 anos. Antes de trabalhar na Maria Monteiro, eu trabalhei por seis anos naquele prédio na esquina da Julio de Mesquita com a Rua Conceição. Da janela da portaria eu observava o Centro de Convivência. Nunca pude frequentá-lo e, por isso, muitas vezes sentado aqui no banco, eu me pego refletindo sobre como seria ter esse espaço como uma opção de lazer", revela Santos que contou já ter trazido a família para conhecer a praça.

"Uma vez eu vim com minha filha e minha neta lá de Sumaré para elas conhecerem aqui. A praça é um local muito tranquilo e agradável para uma tarde, especialmente para minha neta brincar e, sobretudo, nos fins de semana quando tem a feirinha. Certamente, se houvesse alguma atividade cultural no Centro de Convivência, o passeio teria sido completo", aponta o porteiro.

Para Alessandra, a primeira e única impressão do Centro de Convivência é de abandono, já que ela começou a trabalhar nas proximidades, há três anos. "Do jeito que está, com certeza não passa uma impressão boa. A praça é um local tão gostoso, com as árvores e um espaço verde, mas a visão final que temos é de algo abandonado", critica a contadora que, assim como Santos, já se viu refletindo sobre a atual situação do Centro de Convivência.

"Eu já fiz uma reflexão sobre como pode esse prédio público, com essa estrutura toda, estar fechado há tanto tempo. É um espaço que poderia ter diversas atividades, principalmente com os artistas locais", indica Alessandra.

Por sua vez, Oliveira conta que faz caminhadas na praça e, ao ser questionado quantas vezes viu o Centro de Convivência aberto, ele se surpreende com a própria resposta. "Nenhuma vez. Praticamente desde quando eu nasci eu não tive uma chance de ir. E agora que moro aqui próximo, não pude aproveitar de nenhuma atividade ou apresentação cultural. É um desperdício esse espaço tão bom estar fechado há tanto tempo", diz o estudante.

Quando questionados se há alguma expectativa para verem o Centro de Convivência aberto, os três entrevistados parecem não ter muita confiança. "Já tiveram tantos atrasos ao longo desses anos que, agora com essa pandemia, fica difícil ter alguma esperança de que um dia vai abrir mesmo", diz Santos. "Olha, eu vejo que tem operários ali na obra, mas já se passaram três anos desde que acompanho diariamente a situação do Centro de Convivência, então, não tenho muita expectativa não", lamenta.

"Eu espero poder ver esse espaço aberto. Não sei quanto tempo levará para isso acontecer. A gente espera que a Prefeitura cumpra, dessa vez, os prazos estabelecidos", cobra Oliveira.

Prefeitura alega que obras de reforma estão no prazo

Procurada pelo Correio Popular, a Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria de Infraestrutura informou que a atual obra de reforma do Centro de Convivência Cultural, que teve início no dia 5 de outubro de 2020, está dentro dos prazos estabelecidos no cronograma organizado pela pasta.

A reforma do Centro de Convivência será dividida em duas etapas. A primeira parte, com custo de R$ 17,8 milhões, tem como objetivo a realização de intervenções no sistema de drenagem e eliminação de infiltrações, fissuras e reparos em ferragens. Também serão feitas a impermeabilização e a substituição total da rede elétrica e hidráulica.

Segundo a secretaria, os projetos para segunda etapa ainda serão contratados ao longo deste ano. Por conta disso, informa, não é possível prever quando o Centro de Convivência será reaberto ao público.

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