Publicado 01 de Março de 2021 - 10h36

Por Da redação

Para manter o atendimento odontológico da popuilação, a SLMandic desenvolveu tecnologia própria para proteger tanto os pacientes quanto os seus profissionais

Ricardo Lima/ Correio Popular

Para manter o atendimento odontológico da popuilação, a SLMandic desenvolveu tecnologia própria para proteger tanto os pacientes quanto os seus profissionais

A Faculdade São Leopoldo Mandic nasceu em Campinas a partir da criação, em 1972, de um Centro de Pesquisas Odontológicas que reunia informalmente dentistas e médicos da cidade. Os encontros eram realizados em uma sala acanhada de 20 m2. Com o tempo, as atividades ganharam copo. Primeiro, foram oferecidos cursos de aperfeiçoamento e especialização. Depois, criados programas de mestrado e doutorado. Atualmente, a SLMandic assumiu a condição de importante grupo no segmento da educação, com unidades instaladas em destacados municípios dos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, além de Brasília.

Ao todo, o grupo conta com 12,5 mil alunos, em apenas dois cursos: Odontologia e Medicina, tanto no nível de graduação quanto pós-graduação. Apesar da crise financeira criada pela pandemia de covid-19 e das dificuldades naturais enfrentadas pelos empreendedores brasileiros, a marca está elaborando um ousado plano de expansão que prevê a instalação de unidades de ensino tanto no país quando no exterior. "Nosso destino é crescer. É ampliar o número de alunos nas áreas de Odontologia e Medicina. Meu filho, que é diretor de novos projetos, está elaborando um plano estratégico para expansão para o exterior. Vamos internacionalizar a atuação da São Leopoldo Mandic", revela o diretor-geral do grupo, o doutor em Odontologia José Luiz Junqueira.

De acordo com ele, embora os estudos ainda estejam em fase inicial, a pretensão é ir além do Continente Sul-Americano. "Nosso desenho hoje está voltado um pouco para a Europa e também para a América do Norte. Mas isso ainda está sendo preparado, ainda precisamos realizar alguns estudos específicos", justifica. Na entrevista que segue, Junqueira fala, entre outros temas, de como a SLMandic tem enfrentando a pandemia, da qualidade do ensino proporcionado pela instituição e da importância da valorização do conhecimento e da formação de recursos humanos qualificados.

A São Leopoldo Mandic é um grupo de educação de Campinas, mas expandiu a sua atuação para outras cidades, de diferentes estados. Qual o tamanho do grupo atualmente?

Hoje, a São Leopoldo Mandic é uma estrutura de ensino e de serviços de saúde. Nós começamos com a oferta de um curso de pós-graduação de Odontologia, que continua sendo um dos nossos produtos. Dentro desse produto, nós temos cursos de capacitação, de imersão rápida, de especialização, MBAs, mestrados profissional e acadêmico, doutorado e pós-doutorado. É uma torre de ensino de qualidade que começou em Campinas, onde está a nossa matriz. Com o tempo, espalhamos nossa atuação por vários pontos do Brasil.

Hoje, temos unidades também nas cidades de São Paulo, Brasília, Vila Velha (ES), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Araras (SP), Arco Verde (PE) e Rio de Janeiro (RJ). Essa rede de instituições forma uma torre de excelência em Odontologia. Hoje, também temos Medicina, que é o outro produto nosso. Oferecemos a graduação em Medicina em Campinas, Araras e temos em Pernambuco, na cidade de Arco Verde, uma instituição chamada Faculdade de Medicina do Sertão. Isso sem falar do curso de graduação em Odontologia.

O que me agrada é que todos esses produtos têm a nota máxima conferida pelo Ministério da Educação. Temos nota máxima na graduação de Medicina, nota máxima na graduação de Odontologia, notas máximas nos mestrados e doutorados, estas conferidas pela Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior]. Isso nos dá muita satisfação. É uma conquista alcançada com investimento, principalmente em pessoas. Todos os nossos professores têm mestrado o doutorado.

Quais serviços são prestados pela SLMandic?

O outro produto que nós temos, e que é consequência do segmento da educação, é a oferta de serviços de Odontologia e de Medicina. Temos convênios com vários hospitais, nos quais nossos alunos e professores atuam de forma capilar. Temos também um hospital próprio na cidade de Araras, que é Hospital Psiquiátrico São Leopoldo Mandic. É uma unidade que já teve 1.500 leitos. Agora, estamos pensando em redesenha-lo para 700 leitos, para transformá-lo em hospital regional. Também temos um hospital escola em Santa Bárbara D´Oeste. Além disso, mantemos convênios com hospitais nos quais podemos participar colaborando não somente do ponto de vista material, mas também do ponto de vista de recursos humanos. Esta é a São Leopoldo Mandic e sua história, que começou em 1984, com cursos de treinamento para dentistas em uma salinha de 20 metros quadrados.

Quantos alunos o grupo tem atualmente, nos segmentos de graduação e pós-graduação?

Temos atualmente 12.500 alunos, o que para nós é muito bom, levando em conta que oferecemos apenas dois cursos, Odontologia e Medicina. Em termos de professores, só a Medicina de Campinas tem 525 docentes. Ao todo, temos 1.137 professores nas graduações, o que é bastante.

Olhando em perspectiva, como está desenhado o futuro da SLMandic?

Primeiramente, a São Leopoldo Mandic nunca será vendida. Ela pertence a minha família, e está registrado em cartório que nós não vamos abrir mão da instituição pelos próximos 100 anos. Então, o que nós prevemos para o futuro é crescimento, um crescimento autógeno, que ocorrerá por meio da demanda do mercado. Nossa ideia é estabelecer um Eixo Anhanguera, com faculdades de Medicina de Campinas até Araras. Vamos estabelecer um núcleo de preparação de médicos de qualidade, para mostrar para a sociedade que fazer o curso na São Leopoldo, na Unicamp ou na PUC-Campinas é diferente de fazer em faculdades que têm que prestar contas somente a seus investidores na Bolsa de Valores. Vamos mergulhar em um mundo altamente tecnológico, com estrutura para formar os melhores profissionais do mercado.

A instituição vai crescer em qual direção?

Nosso destino é crescer. É ampliar o número de alunos nas áreas de Odontologia e Medicina. Meu filho, que é diretor de novos projetos, está elaborando um plano estratégico para expansão para o exterior. Vamos internacionalizar a atuação da São Leopoldo Mandic.

Pretende aportar em quais países?

Nosso desenho hoje está voltado um pouco para a Europa e também para a América do Norte. Mas isso ainda está sendo preparado, ainda precisamos realizar alguns estudos específicos. Mas também vamos crescer internamente.

Como foi a gestão da instituição ao longo do ano passado, por causa dos impactos causados pela pandemia de covid-19?

Foi muito desafiador; um aprendizado e tanto. Hoje, estamos bem preparados. Nossa expectativa sempre foi retomar as atividades presenciais. Inicialmente, suspendemos as atividades em salas de aula e laboratórios porque o primeiro caso da doença na cidade foi detectado aqui. Antes mesmo de a covid se espalhar pelo país, nós já tínhamos instalado um Comitê de Alerta, pois sabíamos que isso poderia acontecer. Suspendemos as aulas em uma quinta-feira e na segunda-feira posterior já estávamos trabalhando remotamente. Então, não houve qualquer perda de conteúdo.

Enquanto isso, preparávamos uma estrutura para o momento do retorno presencial, baseada em critérios de distanciamento social, compra de equipamentos de proteção individual etc. Quase diariamente, realizávamos lives de esclarecimento para toda a comunidade acadêmica sobre a situação da pandemia e também sobre as questões acadêmicas propriamente ditas. Quando a retomada foi permitida, estávamos prontos para seguir os protocolos e decretos estadual e municipal.

A migração do ensino presencial para o remoto interferiu no desempenho dos alunos?

Os coordenadores de curso avaliaram que houve algum impacto, mas isso é mito difícil de mensurar. As notas dos alunos, por exemplo, não sofreram alteração perceptível. Mesmo as atividades exclusivamente práticas foram repostas em janeiro, ou seja, nada foi perdido. Uma medida que não adotamos, mas que muitas faculdades aderiram, foi antecipar a formatura. Aqui, a carga horária foi cumprida integralmente. O curso de Odontologia, que é majoritariamente prático, cumpriu toda a carga horária. Os alunos compareciam à faculdade aos sábados e à noite. Um aspecto importante é que adaptamos toda a escola para receber os pacientes que se submetem a tratamento odontológico.

Nós criamos um procedimento denominado BIBO [Barreira Individual de Biossegurança Odontológica], que contempla veste de proteção para o paciente, uso de equipamentos de segurança por parte de professores e alunos, aplicação de spray e uso de um carrinho com tecnologia ultravileta, desenvolvido por nós, que desinfeta uma sala de 130 m2 em apenas dez minutos. Ao longo da pandemia, fomos criando soluções para cada desafio.

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