Publicado 02 de Março de 2021 - 16h10

Por AFP

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (2) a imposição de sanções contra sete altos funcionários russos em resposta ao envenenamento do dissidente preso Alexei Navalny, pelo qual os serviços de inteligência de Washington responsabilizam Moscou.

O Departamento do Tesouro informou que o diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB) russo, Alexander Bortnikov, que desde 2008 dirige o órgão sucessor da KGB, foi um dos sancionados, principalmente, com o congelamento de seus ativos nos Estados Unidos.

Essas são as primeiras sanções contra o Kremlin anunciadas pelo governo do democrata Joe Biden.

Em um esforço coordenado com a União Europeia, os Estados Unidos insistiram em seu pedido para que a Rússia liberte o líder opositor, cuja prisão em janeiro ao retornar para Moscou despertou uma onda de manifestações contra o governo.

"A comunidade da inteligência estima com um alto nível de confiança que funcionários do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia usaram um agente nervoso conhecido como Novichok para envenenar o líder opositor russo Alexei Navalny em 20 de agosto de 2020", disse um alto funcionário que preferiu o anonimato.

O governo americano informou que as sanções, dirigidas particularmente contra "sete altos membros do governo russo", foram impostas "em coordenação estreita com nossos parceiros da UE".

"Estamos enviando um claro sinal para a Rússia de que há consequências claras pelo uso de armas químicas", disse outro funcionário.

Poucas horas antes do anúncio americano, que acompanha uma decisão parecida da UE, o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou que a política de sanções "não está atingindo seus objetivos".

Na véspera, os Estados-membros da UE aprovaram sanções contra quatro altos funcionários russos das áreas de Justiça e Defesa, envolvidos na prisão e condenação de Navalny.

Além do congelamento de seus bens nesses países, os sancionados serão proibidos de viajar para a UE e os Estados Unidos.

O governo de Biden também destacou que restringirá algumas exportações para a Rússia, prometendo uma postura mais firme que a de seu antecessor, Donald Trump, que expressava admiração pelo presidente russo, Vladimir Putin.

"Tomaremos as ações pertinentes que considerarmos adequadas para deixar muito claro que este tipo de conduta é inaceitável para nós, e faremos isso junto aos nossos aliados e parceiros", afirmou o secretário de Estado, Antony Blinken, em uma entrevista divulgada nesta terça-feira.

No entanto, apesar das tensões, o presidente americano também estendeu o pacto de desarmamento nuclear com a Rússia.

"Não estamos tentando escalar, não estamos tentando reiniciar, estamos buscando estabilidade e previsibilidade e áreas de trabalho construtivo com a Rússia quando for de nosso interesse", disse um dos funcionários.

Os responsáveis disseram que os Estados Unidos vão divulgar nas próximas semanas novas conclusões das agências de inteligência sobre outros pontos críticos com Moscou.

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