Publicado 02 de Março de 2021 - 10h40

Por AFP

A prisão onde o opositor russo Alexei Navalny cumpre pena, em Pokrov, uma cidade russa de prédios soviéticos e casas de madeira precárias localizada a 100 quilômetros de Moscou, é um centro penitenciário que tem a reputação de conseguir "subjugar" os prisioneiros mais obstinados.

Cercado por uma cerca de chapa metálica com arame farpado no topo, o Complexo No. 2 está localizado perto de uma fábrica da gigante alimentícia americana Mondelez.

"Dizem que é uma das prisões mais severas da Rússia", afirma Denis, um empresário que se recusa a fornecer seu sobrenome, "talvez seja por isso que ele foi transferido para cá".

O opositor de 44 anos, que no ano passado sobreviveu a um envenenamento atribuído ao Kremlin e passou vários meses convalescendo na Alemanha, terá que cumprir uma sentença de dois anos e meio em Pokrov.

Ele foi preso ao retornar à Rússia e condenado em fevereiro. Sua condenação provocou indignação da sociedade civil russa e das capitais ocidentais.

Em Pokrov, a simpatia pelo adversário é menos evidente. "Não nos importamos onde ele foi preso, o mais importante é que ele esteja na prisão", diz a aposentada Iadviga Krylova, de 56 anos.

Nos arredores da capital, Pokrov e seus 17.000 habitantes são um ponto de passagem no caminho para Vladimir, uma cidade medieval cujas igrejas listadas como Patrimônio Mundial da Unesco estão entre as mais visitadas da Rússia.

No passado, a cidade também marcava o limite de 101 quilômetros ao redor da capital, além do qual as autoridades soviéticas enviavam muitos intelectuais e dissidentes ao exílio.

Foi precisamente na época soviética que a prisão foi aberta.

Longe do legado do Gulag, o sistema de campos de concentração estabelecido sob Stalin, é hoje um dos 684 campos de trabalho que abrigam 393.000 prisioneiros na Rússia.

Em tese, a prisão oferece aos presos a oportunidade de trabalhar em troca de um salário baixo, que mal cobre os custos de acomodação que lhes são impostos.

Mas o sistema é regularmente criticado por grupos de direitos humanos, que denunciam as condições adversas e as horas de trabalho intermináveis.

Maxime Troudolioubov, diretor do site de notícias Meduza, afirma que o sistema de liquidação de prisões é um instrumento usado pelo Kremlin para subjugar oponentes e marginalizar os críticos.

"Este é o seu objetivo: ou a pessoa se acaba psicologicamente ou ela deixa a Rússia imediatamente depois de cumprir a pena. Em qualquer dos casos, o adversário abandona o campo de jogo", explica à AFP.

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