Publicado 02 de Março de 2021 - 8h20

Por AFP

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) anunciou nesta terça-feira (2) ter apresentado uma denúncia na Alemanha por crimes contra a humanidade contra o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, denunciando especialmente sua "responsabilidade" no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Apresentada na segunda-feira "ante o procurador-geral da Corte Federal de Justiça de Karlsruhe", competente nos "principais crimes internacionais", a demanda destaca "a perseguição generalizada e sistemática dos jornalistas na Arábia Saudita" e, além do príncipe herdeiro, aponta outras quatro autoridades sauditas de alto escalão, segundo um comunicado.

Além de Bin Salman, "suspeito de ter ordenado diretamente o assassinato" de Khashoggi, a RSF denuncia o seu ex-conselheiro Saud al Qahtani, o ex-diretor adjunto dos serviços de inteligência, Ahmed Al Assiri, assim como Mohamed Al Otaibi, ex-cônsul geral em Istambul, e Maher Mutreb, "oficial de inteligência" que comandava a "equipe que torturou e matou" o repórter do Washington Post.

Consultada pela AFP, a demanda detalha ainda os supostos abusos cometidos contra 34 jornalistas detidos no reino - 33 continuam detidos -, como o blogueiro Raif Badawi.

"Tortura, violência e coerção sexual, desaparecimento forçado ou privação ilegal da liberdade física". Diante dos supostos delitos que considera "crimes contra a humanidade", a ONG com sede em Paris considera que o sistema judicial alemão é o "mais adaptado" com base na competência universal aplicada neste país, que permite ao Estado julgar os autores dos crimes mais graves, independente de sua nacionalidade e do local em que os atos foram cometidos.

A RSF acredita que assim conseguirá a abertura de uma investigação.

A ação foi apresentada poucos dias após a publicação de um relatório do serviço de inteligência americano que acusa o príncipe herdeiro de ter "validado" o assassinato do jornalista saudita.

Crítico do regime, Jamal Khashoggi foi assassinado em 2 de outubro de 2018 no consulado de seu país em Istambul por agentes enviados da Arábia Saudita.

Seu corpo, esquartejado, nunca foi encontrado.

Depois de negar o assassinato, Riade afirmou que o crime foi cometido por agentes sauditas que atuaram por conta própria. Após um julgamento não reconhecido pela comunidade internacional, cinco pessoas foram condenadas à morte e três a penas de prisão. As penas capitais foram comutadas pouco depois.

O país ocupa o 170º lugar em um total de 180 no ranking mundial da liberdade de imprensa da RSF.

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