Publicado 01 de Março de 2021 - 17h10

Por AFP

O presidente de Gana se tornou, nesta segunda-feira (1), o primeiro vacinado contra a covid-19 com uma dose financiada pelo dispositivo Covax para países de baixa renda, no momento em que se acirra na OMC a batalha para liberar as patentes das vacinas e aumentar a produção das mesmas.

As campanhas de vacinação em todo o mundo se intensificam diante da pandemia, que já causou mais de 2,53 milhões de mortes, segundo dados da AFP desta segunda-feira. Enquanto os países ricos avançam em suas campanhas em um ritmo desigual, comprando a vacina diretamente dos produtores, Gana recebe as primeiras doses financiadas pelo Covax. O presidente do país, Nana Akufo-Addo, 76 anos, recebeu nesta segunda-feira a primeira injeção da vacina Oxford/AstraZeneca. "É importante que eu dê o exemplo, demonstrando que esta vacina é segura, ao ser a primeira pessoa a recebê-la", disse.

O sistema Covax pretende proporcionar este ano vacinas contra a covid-19 para 20% da população de quase 200 países e territórios participantes e inclui também um mecanismo de financiamento que permite a 92 economias de renda baixa e média acessarem as doses.

O Covax, fundado pela OMS, Aliança para as Vacinas (Gavi) e pela Coalizão para a Inovação na Preparação contra Epidemias (Cepi), foi criado em uma tentativa de evitar que os países ricos acumulem as doses, que continuam sendo produzidas em quantidades muito pequenas para atender a demanda mundial. Muitas vozes pedem que a Organização Mundial do Comércio (OMC) quebre as patentes das vacinas contra a covid-19, uma demanda denunciada pelos laboratórios. A proposta, longe de alcançar um consenso, será debatida no Conselho Geral da OMC nesta segunda e terça-feira.

A adesão à vacina aumenta em vários países, como Reino Unido, Estados Unidos e França, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira pela consultoria Kekst CNC, enquanto uma pesquisa na Rússia revelou que dois terços dos entrevistados acreditam que o novo coronavírus é uma arma biológica fabricada pelo homem.

Até agora, foram administradas mais de 224 milhões de doses da vacina contra a covid-19 em ao menos 123 países ou territórios, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais. Quatro milhões de doses da vacina da Johnson & Johnson serão distribuídas nesta terça-feira nos Estados Unidos, país mais afetado tanto em número de mortes como de casos, com 513.092 óbitos por 28.605.953 casos registrados.

Na União Europeia (UE), espera-se que a vacina seja aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos no começo deste mês e distribuída até o início de abril. A Eslováquia recebeu hoje o primeiro lote da vacina russa Sputnik V, tornando-se o segundo país europeu a comprá-la, depois da Hungria. O premier Igor Matovic declarou que "é justo adquirir a vacina russa, uma vez que a Covid-19 não entende de geopolítica".

Na Índia, onde o primeiro-ministro, Narendra Modi, vacinou-se hoje, o governo estabeleceu o objetivo ambicioso de vacinar 300 milhões de pessoas até o fim de junho, mas, até agora, só imunizou 14 milhões, principalmente profissionais de saúde e da segurança. Já do outro lado do Atlântico, o Uruguai iniciou hoje sua campanha de vacinação, com o imunizante CoronaVac, que será aplicado inicialmente em professores, militares, policiais e bombeiros.

Paralelamente, cresce a preocupação com as novas variantes de coronavírus, que levaram vários países a impor novas restrições aos deslocamentos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que apresentará propostas para colocar em prática um "passe verde" de aceitação comum na UE sobre a vacinação contra a covid-19. "Vamos apresentar este mês uma proposta legislativa para o Passe Verde Digital", anunciou no Twitter, explicando que a iniciativa teria como objetivo fornecer tanto a prova da vacinação quanto os resultados de testes de detecção de contágio.

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