Publicado 01 de Março de 2021 - 10h40

Por AFP

Pela primeira vez na história, um papa visitará o Iraque a partir de sexta-feira para confortar a minoria cristã dizimada pelos conflitos e as dificuldades da vida e estender a mão ao islamismo xiita, em um gesto espetacular.

No berço do Cristianismo, que as guerras deixaram em sangue e que ainda é marcado pela violência do grupo Estado Islâmico (EI), o papa Francisco se encontrará com a mais alta autoridade religiosa de uma parte do mundo xiita, o Grande Aiatolá Ali Sistani, em Najaf, ao sul de Bagdá.

É também a primeira viagem do soberano pontífice desde o início da pandemia de covid-19, após ter sido vacinado, assim como a multidão de jornalistas e eclesiásticos que o acompanham.

Durante sua visita de três dias, o papa argentino de 84 anos visitará uma minoria cristã diversa, mas minimizada, em meio a uma população de 40 milhões de iraquianos exaustos após 40 anos de guerras e crises econômicas.

A agenda do papa é tão ambiciosa quanto a viagem é histórica: até segunda-feira, o pontífice visitará uma catedral que foi palco da tomada de reféns em 2010 em Bagdá, a cidade de Ur, no deserto do sul do Iraque, Najaf e igrejas destruídas pelo EI em Mossul (norte).

O papa viajará cerca de 1.650 km, principalmente de avião. Ao longo de seu trajeto, foram expostas mensagens de boas-vindas e apelos de coexistência.

As estradas foram pavimentadas, postos de segurança foram instalados e as obras de renovação foram realizadas em locais que até agora nunca tinham estado nos programas oficiais de visita.

"A mensagem do papa é dizer que a Igreja está do lado daqueles que sofrem", disse à AFP o arcebispo caldeu católico de Mossul e Aqra, Najeeb Michaeel.

"O papa enviará uma mensagem forte mesmo aqui, onde crimes contra a humanidade e genocídio foram perpetrados", disse o prelado, que teve que fugir dos jihadistas em Mossul.

A comunidade cristã no Iraque é uma das mais antigas e diversas, na qual se destacam os caldeus - católicos -, os ortodoxos e os protestantes armênios.

Na época da ditadura de Saddam Hussein (1979-2003) havia cerca de 1,5 milhão de cristãos, cerca de 6% dos iraquianos.

Mas hoje não restam mais de 400.000, 1% da população, estima William Warda de Hammurabi, uma ONG local de minoria.

Antes do exílio, a maioria dos cristãos estava na província de Nínive, cuja capital é Mossul. As vitrines e os livros de orações estão em aramaico moderno.

Escrito por:

AFP