Publicado 01 de Março de 2021 - 10h00

Por AFP

A nova chefe da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, defendeu nesta segunda-feira (1) o desbloqueio das negociações sobre os subsídios à pesca, no primeiro dia de um mandato histórico à frente de uma instituição em crise e em plena pandemia.

"Chego a uma das instituições mais importantes do mundo e temos muito trabalho. Sinto-me pronta", disse Ngozi ao chegar, cedo, na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra.

Primeira mulher e primeira africana a liderar a OMC, não perdeu um minuto e inaugurou pela manhã uma escultura de gelo representando peixes, instalada por ONGs, na companhia do embaixador da Colômbia, Santiago Wills, presidente das negociações sobre subsídios à pesca.

"Realmente sentimos que a sobrepesca, a sobrecapacidade e a pesca ilegal são fatores que prejudicam a sustentabilidade. Por isso é importante (...) que concluamos as negociações o mais rapidamente possível", afirmou, indicando que a sua presença servia para apoiar Wills em "tentar desbloquear a situação".

Ela também reservou o dia à escuta, pois presidirá a primeira reunião do Conselho Geral e encontrará os vice-diretores gerais, que pilotaram a instituição durante os seis meses de vacância do poder e parte de sues equipes.

Duas vezes ministra das Finanças e chefe da diplomacia da Nigéria por dois meses, Ngozi, de 66 anos, substitui o brasileiro Roberto Azevedo, que deixou o cargo em agosto, um ano antes do final de seu mandato.

Ngozi trabalhou por 25 anos no Banco Mundial e foi indicada no dia 15 de fevereiro pelos 164 países membros da OMC após um longo processo seletivo, paralisado por vários meses pelo veto à sua nomeação pela ex-administração Trump.

Ela inicia o seu mandato no primeiro dia do Conselho Geral, uma oportunidade para fazer um balanço das negociações em curso.

Os delegados também devem decidir a data em dezembro da próxima Conferência Ministerial - que teve de ser adiada devido à pandemia de covid-19.

Até lá, a nova chefe da OMC, conhecida por sua força de vontade e determinação, terá tido tempo para imprimir sua marca em Genebra.

Ela aceitou as desculpas dos jornais suíços que a designaram como "avó" em uma manchete sobre sua nomeação, não sem antes denunciar "observações racistas e sexistas".

Enquanto alguns esperam que sua chegada dê um verdadeiro impulso à organização, outros ressaltam que ela não poderá mudar tudo com um aceno de varinha mágica por causa da regra de consenso que prevalece na OMC.

Em plena pandemia, Ngozi, que foi presidente da GAVI Alliance até o ano passado, pediu recentemente à OMC que se concentrasse nesta crise de saúde, já que os países estão divididos a respeito de uma isenção - proposta pela Índia e África do Sul - de direitos de propriedade intelectual sobre tratamentos e vacinas anticovid para maximizar a produção global.

O assunto será debatido nos próximos dois dias na OMC, mas nenhuma decisão é esperada sem consenso.

O Grupo de Ottawa, que reúne a UE e 12 países, entre eles Brasil, Canadá e Suíça, exigirá, por sua vez, que os países se comprometam, durante a pandemia, a não atrapalhar o comércio de medicamentos e eliminar tarifas sobre produtos considerados essenciais.

Além das discussões sobre a ajuda à pesca, que ela espera concluir na próxima conferência ministerial, vários outros grandes projetos aguardam a nova chefe da OMC, incluindo a resolução de conflitos entre a organização e os Estados Unidos.

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