Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 5h30

Após dois fins de semana de apresentação no mês de fevereiro, o Teatro Multiplan, no VillageMall, no Rio de Janeiro, volta a receber o musical Lazarus, de David Bowie, em curtíssima temporada, entre os dias 5 e 15 março, sempre de quinta a domingo. Escrito pelo icônico cantor inglês - morto precocemente aos 69 anos em janeiro de 2016 - em conjunto com o dramaturgo Enda Walsh, Lazarus é baseado no romance O homem que caiu na terra, que na versão para o cinema, rodada em 1976, teve Bowie no papel de protagonista. O roteiro narra a vida atormentada de Thomas Newton, um alienígena que viaja para a terra para salvar seu planeta, ameaçado pela falta de água.

O espetáculo reflete o estado de espírito de um artista lutando entre o momento de estar vivo e a iminência de deixar tudo para trás. Lazarus apresenta 18 músicas de diversas fases da carreira de Bowie, incluindo sucessos como Life on Mars, Valentine’s Day, Changes e Heroes, além de faixas do último álbum do artista, Blackstar. Com direção geral de Felipe Hirsch e tendo Daniela Thomas e Felipe Tassara na direção de arte, a montagem possui ainda um elenco potente com atores renomados como Jesuíta Barbosa, que está estrelando seu primeiro musical como o protagonista, Carla Salle e Bruna Guerin, entre outros igualmente talentosos, como Gabriel Stauffer, Luci Salutes, Natasha Jascalevich, Olivia Torres, Rafael Losso, Rômulo Braga, Tulio Starling, Valentina Herszage e Vitor Vieira.

O espetáculo, que em 2019 esgotou as sessões de sua versão brasileira em uma temporada de sucesso em São Paulo, conta com 110 profissionais na montagem e quase duas toneladas de equipamento (entre áudio, luz, projeção e cenário) com um único objetivo: construir no palco uma atmosfera que transporte o espectador para o universo de Bowie e Thomas Newton.

No palco, Newton é um ser alcoólatra, sem objetivo e incapaz de modificar sua terrível situação: imortal e incapaz de deixar a terra.”Bowie vivia essa situação intermediária, buscando se encontrar em vez de simplesmente se deixar ir”, disse Hirsch, por ocasião da estreia da primeira temporada em agosto de 2019.

Com total liberdade para reorganizar o original (condição essencial, aliás, para aceitar o convite feito pela Dueto Produções, de Monique Gardenberg), o encenador buscou um caminho distinto das montagens de Londres e Nova York. "Fui mais fiel ao livro de Tevis, que busca descobrir a origem de sua existência."

Para isso, contou com a ajuda de colaboradores fiéis ao seu pensamento. Assim, para a direção musical, ele convidou Maria Beraldo e Mariá Portugal, hábeis em criar sonoridades a partir da voz e de instrumentos. As canções, assim, fazem uma interessante costura com o tom ligeiramente onírico da trama. "O trabalho delas traz uma transcendência, alcançando o espírito das músicas de Bowie", avaliou o encenador.

Já Daniela Thomas e Felipe Tassara criaram novamente um cenário instigante, em que o palco se movimenta, formando pequenos declives que auxiliam para mostrar o estado de espírito dos personagens. Com a presença de um enorme espelho atrás, que também se movimenta, Hirsch criou cenas de puro ilusionismo, dignas do canadense Robert Lepage, graças ainda às projeções que identificam o cenário. (Da Agência Anhanguera)