Publicado 15 de Fevereiro de 2021 - 5h30

Para Maria Eduarda de Carvalho, Éramos Seis é, literalmente, um programa de família. A atriz, que dá vida à espevitada Olga na novela das 18h da Globo, lembra que em 1994, aos 12 anos, acompanhava a adaptação do SBT ao lado da avó, Laura. Hoje, no elenco da quinta versão para a televisão do romance de Maria José Dupré, ela tem uma parceira diferente como telespectadora da história: a filha Luiza, de apenas 9 anos. “Vemos pelos Globoplay, que exibe o capítulo do dia seguinte. Quando acaba, ficamos na expectativa pelo próximo. Sinto com ela o mesmo gostinho de ver uma série”, comemora.

Das memórias de 25 anos atrás, Maria Eduarda lembra também da admiração que sente, até hoje, por Denise Fraga. A atriz dava vida a Olga no remake do SBT, mesmo papel de Maria Eduarda hoje e um dos que ela mais gostava na época. Para a nova adaptação, no entanto, Eduarda não chegou a conversar com a atriz. Assume: ficou com vergonha. “Sou muito matuta, fico meio constrangida de ligar, do nada, e puxar conversa. Tem umas atrizes que são meio xodós para mim, em quem me inspiro muito. A Drica Moraes é uma delas, assim com a Denise.” Mas outra atriz que a inspira, hoje, é sua colega de elenco. “Fui aluna da Camila Amado quando eu tinha uns 20 anos e, hoje, ela está ali, comigo”, deslumbra-se.

Não só por se tratar de um dos seus personagens preferidos de Éramos Seis, Olga é mesmo um papel especial para Maria Eduarda. A atriz confessa que se encanta justamente pelo jeito um tanto equivocado dela. “Às vezes, tenho certa peninha dela. Sabe filho, quando a gente vê que está fazendo uma besteira, mas tem de deixar para ele entender que aquilo não é legal? Vivo um pouco isso com ela.” O sentimento chegou a ser maior na reta inicial da trama, em função do sonho que Olga cultivava: o de encontrar um homem rico. “Naquela época, as mulheres eram muito reféns de um matrimônio promissor para mudarem de vida.”

Um dos pontos de destaque de Éramos Seis, em meio à saga da família Lemos, é levantar questões ligadas ao machismo – presentes até hoje na sociedade brasileira. Para Maria Eduarda, essa função tem um sabor especial. Isso porque a atriz já vinha de outro trabalho com temática semelhante. Na pele da divertida Miss Celine de O Tempo Não Para, deu vida a uma mulher do Século 19 que ficava congelada por 132 anos e se via em 2018. “Ela via o quanto a gente tinha mudado para, no final, em diversos aspectos, continua a mesma coisa ou até mesmo retroceder. Tivemos ganhos no viés das conquistas femininas, mas ainda há muito o que andar. Acho que ainda sofremos questões seríssimas que precisamos enfrentar a passos largos”, analisa.

De qualquer forma, Maria Eduarda mostra seu olhar mais puro na hora de contar o que realmente mais valoriza na nova adaptação de Éramos Seis. Para a carioca de 37 anos, é instigante mostrar, através da arte, algo que se perdeu nesse mundo moderno: a delicadeza. “Acho legal ver essa coisa de parar e, de fato, ouvir o que o outro tem a dizer, enxergar o próximo. Estamos deixando de ser humanos. Éramos Seis traz isso em uma potência muito grande”, diz. “Quando penso na força que tenho de vida, tenho certeza de que ergui isso através da minha família, da relação que a gente estabeleceu. Nos fortalecemos uns nos outros, conversando e nos ajudando”, explica.

Em diversos trabalhos na tevê, Maria Eduarda mostrou-se extremamente à vontade no humor. Em Éramos Seis, no entanto, ela conta com um parceiro e tanto em suas cenas: Eduardo Sterblitch, que estreou no Pânico na TV!” e encara, agora, a primeira novela de sua carreira. Éramos Seis é a terceira novela seguida em que Maria Eduarda interpreta uma personagem de época – antes de O Tempo Não Para, ela foi a Gilberte de Tempo de Amar, que estreou em 2017, na Globo. (Da TV Press)