Publicado 08 de Fevereiro de 2021 - 5h30

Érika Januza aprende muito com suas personagens. Recentemente, perdeu o medo de mar ao fazer aula de natação para Sol Nascente e ainda ficou íntima das leis e práticas do Direito ao viver uma juíza em O Outro Lado do Paraíso. Agora, em Amor de Mãe, ela teve de enveredar pelo competitivo universo do tênis para viver a atleta Marina. Muito além do esforço físico e das regras do jogo, o intenso processo de preparação, que levou quase um ano, fez Érika se apaixonar pelo esporte. “Foi uma descoberta na minha vida. Comecei vendo algumas partidas para entender a dinâmica e, desde as primeiras conversas com a direção da novela, a figura da Serena Williams já surgiu como fonte de inspiração. Chegou a um ponto em que se tinha jogo da Serena na tevê, as pessoas já sabiam que eu estaria ocupada assistindo”, explica. O realismo das cenas de Marina em quadra impressiona e é fruto da dedicação da atriz e dos treinadores Vandeir Gama e Evaldo Ambrósio. “Eles foram tão pacientes comigo. Comecei do zero, não sabia nem o modo correto de segurar a raquete”, diverte-se, entre risos.

Além de suar nas quadras, Érika também teve de se preparar para a forte carga dramática que envolvem as cenas de Amor de Mãe. De origem humilde, a personagem encara a carreira de tenista com grandes dificuldades financeiras. Quando surge a possibilidade de um patrocínio, ela fica dividida entre a chance de se destacar profissionalmente e deixar para trás o amor de Ryan, papel de Thiago Martins. “A Marina está sempre entre o sonho e a realidade. Ela recusa o contrato para ficar ao lado do homem que ama e acaba tendo de lidar com as consequências dessa escolha”, conta. Inevitavelmente, essa história acabou transportando Érika ao passado. Quando ainda dançava e modelava, ela desistiu de alguns contratos por conta de um grande amor. A atriz garante, entretanto, que aprendeu a lição e desde então tem o trabalho como prioridade. “Não tinha qualquer vivência profissional e escolhi com o coração e não com o cérebro (risos). Entendo a Marina agir assim e acho que as pessoas têm de passar por esse tipo de situação para entenderem que o amor liberta e não prende. Se alguém quer prender você, tem alguma coisa errada na relação”, acredita.

Apesar de amar suas madeixas crespas e longas, há tempos que a atriz queria mudar radicalmente de visual. Ao entender que Marina teria de ter um “look” mais prático para dar conta do trabalho e dos treinos, sugeriu à equipe de caracterização e ao diretor José Luiz Villamarim que a personagem poderia adotar um corte curto, no melhor estilo “joãozinho”. Porém, na hora de cortar, “tremeu na base”. “Comecei a chorar. A gente se apega muito nas questões da vaidade. Quando o cabeleireiro terminou, olhei no espelho e aí veio o sorriso. Pensei: “Por que não fiz isso antes?”. Amei demais.” Embora os cachos estejam curtíssimos, os cuidados com os cabelos continuam rígidos. A única diferença é o tempo dispensável para todo o ritual. “A rotina é parecida, mas é tudo tão mais prático. Hidrato e uso uma série de produtos para fortalecer os fios. É impressionante como cresce rápido. Estou tendo de refazer o corte frequentemente”, conta.

Natural de Contagem (MG), aos 34 anos, é possível ver que experiência e segurança são dois fatores que diferenciam bem a Érika tímida e introspectiva de Subúrbia, sua estreia na tevê, e a mulher de hoje, com jeito de que sabe exatamente o que quer. “Cresci muito em oito anos. Abri minha cabeça e fui atrás dos meus sonhos. Não importa se o papel é protagonista ou coadjuvante, o importante, para mim, é ganhar repertório.” Nessa linha, ela passou por produções de canais pagos e participou de novelas como Em Família e Totalmente Demais. Em 2020, além de estar em Amor de Mãe, Erika terá um papel importante em Arcanjo Renegado, série da Globoplay dirigida pelo cineasta Heitor Dhalia. (Da TV Press)