Publicado 07 de Fevereiro de 2021 - 5h30

O 15º Feverestival – Festival Internacional de Teatro de Campinas começa hoje, com a abertura oficial da programação adulta às 20h no Teatro Municipal José de Castro Mendes. O Coletivo Preto e a Companhia de Teatro Íntimo, ambos do Rio de Janeiro (RJ) se uniram para criar o espetáculo Negra Palavra | Solano Trindade e trazem ao palco urgências apontadas pelos nossos “Futuros Desejáveis”, tema do evento este ano. Além de ser a estreia oficial da programação do Festival, a montagem cênica também celebra sua chegada em solo paulista, já que esta é a primeira vez que o espetáculo é apresentado no Estado de São Paulo.No palco, dez atores negros reverberam a luta, permanência, continuidade, força e resistência a partir da poesia na dramaturgia do pernambucano Solano Trindade; do eixo cênico/musical no corpo dos atores; e da relação com o espectador, através da intimidade.“É muito significativo abrir esta edição com um espetáculo composto por duas companhias teatrais. Quando falamos de “Futuros Desejáveis”, nesse nosso futuro com certeza está a força do coletivo, composto pela resistência de união, de comunhão”, afirma Dandara Lequi, produtora membro do Núcleo Feverestival e da curadoria dos espetáculos.“A força desses corpos em cima de um palco representa tudo o que a gente espera que reverbere para o público que vai acompanhar a nossa programação. Teremos um espetáculo poético, autêntico, verdadeiro, e que diz muito respeito à toda a população brasileira”, acentua.“Solano Trindade viajou pelo país com sua obra e militância e viveu em solo pernambucano, carioca e paulista. Nos últimos anos de vida levou seu teatro popular para Embu das Artes, cidade do interior de São Paulo. Portanto, estar em Campinas e, especialmente, dentro de um Festival que tem preocupações não só artísticas, mas também um engajamento social e político contundente, nos leva a crer que estamos seguindo os passos do poeta. Viajar pelo Brasil com sua Negra Palavra é um dos nossos principais objetivos. Solano precisa e merece ser (re)conhecido em todo o país não só como homem de teatro, mas como um cidadão que lutou por uma sociedade democrática, justa e igualitária”, diz em nota o Coletivo Preto & Cia. de Teatro Íntimo.Corpo, palavra e músicaPara a concepção de Negra Palavra | Solano Trindade, os dois grupos uniram suas linhas de pesquisa de forma a se complementarem: a Companhia de Teatro Íntimo, que usa a poesia como dramaturgia e a busca da intimidade na relação com o espectador; e o Coletivo Preto, que usa o corpo dos atores como elemento central da encenação, pesquisando a fusão do corpo preto ancestral com o corpo contemporâneo ocidental.Segundo os dois grupos, houve uma fusão de diversas linhas de pesquisa para a concepção da montagem. “A direção integra a pesquisa musical de André Muato, a pesquisa de movimento de Orlando Caldeira e a pesquisa da palavra e da intimidade de Renato Farias”, explicam. “Assim, música [o corpo como fonte musical], corpo [o individual e o coletivo materializando a palavra] e palavra [a poesia como dramaturgia] se uniram para colocar em cena a luta, o amor e o chamado para a revolução do poeta pernambucano”.Em Negra Palavra, poesia, percussão corporal e coreografia individual e coletiva são os pilares da montagem. "Como a formação do diretor de movimento Orlando Caldeira também passa pelo circo, há momentos em que elementos circenses se fazem presentes. A alfaia foi eleita por André Muato como um instrumento síntese que permite ampliar as sonoridades presentes no trabalho", explicam os grupos.Para a concepção da apresentação, houve ainda um estudo sobre as lutas de Solano Trindade durante sua trajetória: o movimento negro, o partido comunista e o teatro popular. “Hoje, no início da segunda década do século 21, o que buscamos foi uma nova roupa para as manifestações e reivindicações de Solano”.