Publicado 27 de Fevereiro de 2021 - 17h17

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Jornalistas concentrados na entrada do Laboratório de Luz Síncrotron a espera do ministro da Saúde: Pazuello chegou e foi embora da cidade sem falar com a imprensa

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Jornalistas concentrados na entrada do Laboratório de Luz Síncrotron a espera do ministro da Saúde: Pazuello chegou e foi embora da cidade sem falar com a imprensa

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fez uma visita silenciosa a Campinas ontem. Ele veio à cidade para conhecer o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), mais especificamente o acelerador de partículas Sirius, o maior e mais complexa infraestrutura de pesquisa do Brasil. O ministrou chegou e foi embora sem falar com a imprensa. À noite, a assessoria de imprensa do Ministério divulgou uma nota com uma fala de Pazuello: "É a tecnologia de ponta aliada à saúde. Através do Sirius, podemos avançar no combate à pandemia e na prevenção de outras doenças, ampliando, assim, a assistência à saúde a todos os brasileiros".

Acompanhavam Pazuello os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovações em exercício, Leonidas Medeiros, e da Educação, Milton Ribeiro. Também integravam a comitiva o secretário de Vigilância em Saúde (SVS), Arnaldo Medeiros, e o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (SCTIE) da Pasta, Hélio Angotti Neto.

O ministro da Saúde conheceu toda a infraestrutura de pesquisa, em especial os recursos úteis para a área da saúde. Também visitou as instalações do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). Na área da saúde, pesquisas feitas no Sirius permitem a identificação das estruturas de proteínas e unidades intracelulares complexas, etapa importante no desenvolvimento de novos medicamentos.

Além disso, técnicas de pesquisa baseadas em imagem com altíssima resolução, como a nanotomografia, deverão trazer grandes contribuições para a análise de órgãos e tecidos. Outra aplicação é o desenvolvimento de nanopartículas para o diagnóstico de câncer e combate a vírus e bactérias, inclusive aquelas que oferecem resistência a antibióticos. A comitiva ministerial chegou ao Aeroporto de Viracopos por volta das 10h, seguiu de carro para o CNPEM e encerrou o compromisso por volta das 13h.

Recorde

A visita de Eduardo Pazuello a Campinas ocorreu um dia após o Brasil registrar-o recorde de óbitos diários na pandemia, com 1.582 mortes por covid-19. No mesmo dia, o ministro anunciou novas ações de enfrentamento à doença. "O atendimento imediato nas Unidades Básicas de Saúde, a estruturação da capacidade de leitos clínicos e de UTI e a vacinação estão entre nossas ações", afirmou.

Pazuello também falou sobre a imunização dos brasileiros, em meio à falta de vacinas e a expectativa da aplicação das doses em massa. "Nós teremos capacidade de vacinar a metade da população vacinável do país até a metade do ano. A outra metade até o fim de 2021", projetou. No mesmo dia em que os ministros vieram a Campinas, o prefeito Dário Saadi esteve em uma reunião extraordinária do Comitê Municipal de Enfrentamento da Pandemia de Infecção Humana pelo Novo Coronavírus. O encontro teve a participação do presidente e fundador do Instituto Estáter, Pércio de Souza, que apresentou um estudo sobre a covid-19, com dados de vários países.

O estudo abordou o impacto das medidas governamentais de controle da covid-19, assim como a relevância do desenvolvimento da percepção de risco da população e dos sistemas de comunicação como estratégias efetivas para limitar a transmissão da doença. O objetivo foi apresentar as informações para que todos pudessem avaliar como elas poderiam ser empregadas no município.

O resultado dessa reunião servirá como base para que o comitê elabore estratégias a serem implementadas em Campinas. Segundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea von Zuben, este trabalho conjunto com a fundação se estendeu para outras linhas estratégicas. "Estamos estudando com outros epidemiologistas a comunicação de risco no Brasil e trabalhando com várias evidências, de modo a aperfeiçoarmos nossas ações", concluiu. 

Escrito por:

Mariana Camba/ Correio Popular