Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 11h21

Por Edson Silva/ Correio Popular

O cão da raça Bull Terrier, apelidado de 'Charlie' tinha contusões por todo o corpo, apresentava tremores, demonstrava acuamento e outros sinais de maus-tratos, como falta de água e alimentos

ONG Vira Patas

O cão da raça Bull Terrier, apelidado de 'Charlie' tinha contusões por todo o corpo, apresentava tremores, demonstrava acuamento e outros sinais de maus-tratos, como falta de água e alimentos

Dono de um cachorro da raça bull terrier, o marmorista Gledson Franciel de Souza, 40 anos, foi preso em flagrante por maus-tratos ao animal – crime inafiançável, de acordo com a legislação. Segundo o delegado plantonista da 1ª Central de Flagrantes, José Paulo Olímpio Júnior, policiais civis do Grupo de Ações Especiais realizaram a prisão após vizinhos do apartamento onde o homem morava, no Centro de Campinas, denunciarem que o cão sofria agressões e açoitamentos constantes.

Imagens de câmeras de segurança do prédio, na área central de Campinas, mostram maus-tratos ao cão

 

Imagens de câmeras de segurança do prédio, na área central de Campinas, mostram maus-tratos ao cão

Ao entrarem no apartamento, os policiais de depararam com o cachorro – apelidado por eles como Charlie –, com diversas feridas e cicatrizes, indícios de espancamento ininterruptos.

Os policiais tiveram o cuidado de levar uma veterinária ao local para constatar a denúncia de maus-tratos. Relatos da veterinária confirmam que o cão apresentava sintomas de agressões continuadas, provocadas por açoitamentos. Ele tinha contusões por todo o corpo, apresentava tremores, demonstrava acuamento e outros sinais de maus-tratos, como falta de água e alimentos.

O imóvel estava muito sujo e bagunçado, com restos de alimentos estragados em todo o ambiente e fezes do animal pelo chão.

Testemunhas ouvidas pelos policiais disseram que Gledson de Souza agredia cruelmente o cachorro com com chutes e pancadas brutais. “Para mim, animal doméstico é parte da família, não deve jamais ser tratado de tal forma”, afirmou o delegado José Paulo Olímpio Júnior, que lavrou o flagrante.

Ele determinou que peritos do Instituto de Criminalística fizessem a perícia no apartamento para a elaboração de laudo, que será anexado ao inquérito. Requisitou também aos responsáveis pela administração do prédio que enviem as fitas das câmaras de segurança que flagram as agressões ao cachorro. As mesmas serão encaminhadas para a Justiça.

Na 1ª Central de Flagrantes, o acusado alegou ter sido um ato isolado e que não agredia constantemente o animal. Ele foi preso sem direito à fiança, encaminhado para a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial (São Bernardo) e estará sujeito à pena de dois a cinco anos de reclusão.

O cão da raça Bull Terrier, apelidado de 'Charlie' tinha contusões por todo o corpo, apresentava tremores, demonstrava acuamento e outros sinais de maus-tratos, como falta de água e alimentos

A Organização Não Governamental (ONG) Vira Patas, de Campinas, ficou com a guarda do animal.

Legislação

A lei 9.605, de 1998 define detenção de três meses a um ano para quem praticar maus-tratos a animais. Mas um artigo da lei estabelece punição mais rígida se a agressão envolver cão ou gato, com reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda.

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Edson Silva/ Correio Popular