Publicado 25 de Fevereiro de 2021 - 22h42

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Sala de aula vazia na Emef Édson Luís Chaves, localizada no Jardim Santa Rosa, periferia de Campinas: retorno das atividades presenciais ocorrerá somente em abril

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Sala de aula vazia na Emef Édson Luís Chaves, localizada no Jardim Santa Rosa, periferia de Campinas: retorno das atividades presenciais ocorrerá somente em abril

A Prefeitura de Campinas anunciou o adiamento da volta às aulas na rede municipal de ensino. De acordo com a nota divulgada pelo município, o retorno que estava previsto para ocorrer no dia 1º de março foi transferido para 5 de abril. Neste momento, as aulas vão seguir de forma remota. A Administração levou em conta a mudança no perfil epidemiológico da cidade, com mais jovens afetados pela covid-19, a ocupação de leitos de UTI-Covid de quase 100% no Sistema Único de Saúde (SUS), a suspeita de circulação local da nova cepa do coronavírus e o impacto de circulação de pessoas que a retomada do ano letivo provocaria.

O adiamento começou a ser analisado na última segunda-feira, momento em que o prefeito Dário Saadi anunciou medidas restritivas na cidade no período noturno, em razão do agravamento da pandemia na cidade. Em Campinas, há 207 escolas municipais, que atendem cerca de 70 mil alunos divididos entre Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos, Cursos Técnicos e de Qualificação Profissional.

Lair Zambon, secretário de Saúde justificou a decisão afirmando que a volta às aulas se daria em um momento em que o município enfrenta problema de limite de leitos. "A sensação que eu tenho é que estamos enxugando gelo. Então, pela taxa de ocupação de leitos e pelo custo, concordo com o adiamento do retorno, mesmo não acreditando que a escola é a primeira linha de disseminação da doença. O vírus age através das aglomerações e festas clandestinas, que estamos combatendo".

O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) se manifestou com relação à mudança. "O anúncio do adiamento mostra que o Sindicato estava certo em denunciar ao Ministério Público do Trabalho (MPT) a situação das unidades que não têm condições de cumprir com o protocolo sanitário para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Os surtos registrados em escolas particulares e estaduais revelam o perigo que as pessoas estão correndo", informou a entidade por meio de nota.

Antes que o adiamento das aulas fosse divulgado pela Prefeitura de Campinas, Tadeu Cohen, coordenador do STMC, temia pelo retorno às escolas. "Essa volta nos preocupava. Pedimos para à Prefeitura que desse a garantia de segurança para que o retorno ocorresse, e isso não foi providenciado. O sindicato não desconsidera a importância da volta às aulas. Mas, sempre defendeu que precisávamos ter a garantia de que esse retorno fosse seguro".

Ontem, ocorreria uma audiência online no Ministério Público do Trabalho, na qual a Prefeitura apresentaria a relação das adequações feitas nas escolas municipais. Atendendo ao pedido do Sindicato, o MPT solicitou à Administração explicações sobre inconsistências de segurança verificadas nas escolas. A audiência foi adiada e ainda não tem nova data para ocorrer. Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que o adiamento ocorreu a pedido do Ministério Público do Trabalho. Mas o MPT apresentou documentos que comprovam que o pedido foi feito pelo município, com o argumento de que no mesmo horário da audiência seria realizada uma reunião que decidiria o retorno das atividades escolares presenciais.

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