Publicado 23 de Fevereiro de 2021 - 15h45

Por Guilherme Ferraz/ Correio Popular

Fachada recuperada do prédio do Cotuca, pintada  com a cor original: obras custaram R$ 12 milhões

Kamá Ribeiro/ Correio Popular

Fachada recuperada do prédio do Cotuca, pintada com a cor original: obras custaram R$ 12 milhões

O prédio do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), que é tombado como patrimônio histórico da cidade, está revitalizado e pronto para receber de volta os estudantes. A reforma estrutural, que começou no final de 2019 e foi orçada em cerca de R$ 12 milhões, foi executada por meio de uma parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), proprietária do imóvel, a Campinas Decor, mostra de arquitetura, decoração e paisagismo, e patrocinadores.

A obra de recuperação do edifício, entregue ontem, foi extensa. O telhado, que era um dos principais problemas estruturais, foi refeito, com a manutenção apenas das vigas originais e a troca das ripas e telhas, além da instalação de painel e manta para ampliar o conforto térmico. A parte elétrica foi inteiramente remodelada, com a troca da fiação e construção de uma nova cabine para ampliar a capacidade de energia fornecida e atender à demanda dos laboratórios do colégio.

Considerando as demandas para o funcionamento do estabelecimento de ensino, também foram construídos novos banheiros, além da realização de obras para adequação da cozinha e da área de alimentação. A questão da acessibilidade recebeu atenção especial, com a instalação de um elevador panorâmico ligando os dois andares do prédio principal e a construção de diversas rampas de acesso em toda a área.

Destaque também para a recuperação da fachada do prédio, que teve as camadas antigas de tinta removidas. As paredes foram pintadas com cor similar à usada originalmente. Também foi realizado um amplo trabalho de recuperação de todas as portas e janelas, que são uma atração à parte quando se fala da beleza do prédio. O trabalho envolveu ainda a recuperação de todos os pisos e revestimentos.

Segundo a diretora da Campinas Decor, Sueli Cardoso, o desafio de reformar o prédio foi grande. Ela comemorou a finalização da obra e disse estar emocionada.

"Quando chegamos, o prédio estava em uma condição deplorável. Ver que conseguimos fazer as melhorias necessárias para o Cotuca voltar para cá, sabendo de todas as dificuldades que tivemos nessa situação de pandemia, não tem como não se emocionar", considerou.

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, comentou sobre a importância de se devolver um prédio histórico para Campinas e ressaltou a relevância da parceria da Unicamp com a Campinas Decor. "Essa reforma ajuda na revitalização do Centro e contribui para impulsionar o comércio no entorno. Não somente a Unicamp ganha com esse tipo de parceira, ao recuperar um espaço fundamental para os estudantes, mas também a cidade, que tem um de seus patrimônios revitalizados", analisou.

História

Construído no início do Século 20, o complexo do Edifício Bento Quirino foi cedido pela Secretaria de Educação para uso da Unicamp, que instalou no local o Cotuca. O colégio funcionou ali de 1967 a fevereiro de 2014, quando foi interditado por problemas estruturais. Desde agosto de 2014, o Cotuca vem funcionando em imóvel alugado no bairro Taquaral.

A construção é tombada pelo Patrimônio Histórico. Sua arquitetura tem orientação eclética e tendência neoclássica, tendo sido projetada pelo arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851 1928), considerado o responsável pela introdução de novos conceitos para a organização da arquitetura escolar à luz dos ideais de ensino republicanos, como afirma a também arquiteta e coordenadora setorial do patrimônio cultural da Secretaria de Cultura de Campinas, Sandra Geraldi Nilne-Watson.

"O edifício Bento Quirino foi construído no final dos anos 10 com a proposta de abrigar uma estrutura de ensino público e servir como local de formação de profissionais. O prédio é um conjunto de estilos arquitetônicos imponentes, característica eclética muito comum na época", detalha Sandra. O imóvel tem área total de cerca de 7 mil m².

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Guilherme Ferraz/ Correio Popular