Publicado 23 de Fevereiro de 2021 - 12h16

Por Correio Popular

A cena romantizada de empresas como Apple, Google, Amazon e YouTube, que mostra os primórdios dessas gigantes nascendo na garagem de uma casa, pode servir de enredo para dramatizar a saga de seus empreendedores — esses jovens obstinados e visionários que, partindo do absoluto zero, transformaram sonhos em impérios econômicos e tecnológicos.

A história parece sedutora, mas a realidade é outra, bem mais pragmática e objetiva. Sem o pesado investimento bilionário em pesquisa científica e tecnológica, que transformou os Estados Unidos e outras nações ricas em potências mundiais, essas empresas certamente não valeriam o que valem hoje.

Educação, ciência e tecnologia são as palavras-chave do desenvolvimento econômico de um país. Do contrário, a dependência externa se torna avassaladora e o que resta é a exportação de commodities, palavra de origem inglesa, a denominar aquilo que este País sempre o fez ao longo de sua história, desde a colônia: exportar matéria-prima, de baixo valor agregado, como soja, café, minério de ferro e por aí vai. Como todos sabem, e a história já provou, que qualquer nação rica e desenvolvida tem na sua base uma educação forte e investimentos maciços em conhecimento científico e tecnológico. E o Brasil, o que fez? Seguiu na contramão sobre os alicerces carcomidos do analfabetismo, do escravismo e da dependência externa, salvo em raros períodos de desenvolvimento industrial.

Em Campinas, uma experiência interessante, abordada em reportagem publicada pelo Correio Popular, em sua edição de domingo, nas páginas 4 e 5, demonstra, na prática, o retorno incontestável e absoluto que a universidade pública pode oferecer a uma comunidade, seja ela regional ou mesmo nacional. As chamadas "filhas da Unicamp", como são conhecidas as empresas e negócios criados por ex-alunos, ex-professores ou ex-funcionários da universidade, contabilizam 1.100 empreendimentos, sendo que 900 estão em atividade — 70% deles instalados na região de Campinas. A reportagem informa que, juntas, faturam anualmente R$ 8 bilhões e geram 33 mil empregos diretos.

A Unicamp Ventures, como bem demonstrou na entrevista para o Correio o físico e presidente da entidade, David Figueira, é a prova inequívoca de que empreendedorismo e inovação, construídos sobre as bases da ciência e tecnologia, geram uma onda de desenvolvimento econômico capaz de beneficiar uma longa cadeia produtiva, gerar trabalho e distribuir renda.

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