Publicado 23 de Fevereiro de 2021 - 11h42

Por Da redação

Garçom recolhe mesa de bar em noite de pouco movimento: setor será novamente atingido por medidas de restrição contra a covid-19

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Garçom recolhe mesa de bar em noite de pouco movimento: setor será novamente atingido por medidas de restrição contra a covid-19

Uma alta no volume e na gravidade dos casos de internações por problemas respiratórios na rede pública de atendimento, aliada à superlotação dos leitos UTI exclusivos para pacientes infectados pela covid-19 levou a Prefeitura de Campinas a endurecer as regras de isolamento social no município. 

Lockdown ou caos, adverte o provedor da Santa Casa

Internação por covid bate recorde e liga sinal de alerta

Avanço da covid força ampliação de mais 14 leitos

Nos 21 dias de fevereiro, foram computados 2.233 atendimentos no Hospital Mário Gatti. Do total, 104, ou seja, 4,7% desses atendimentos se transformaram em internações. Isso significa que, de uma média diária de 106 atendimentos, pelo menos quatro passaram a ocupar os leitos de internação. A Prefeitura já trabalha com a hipótese desse percentual chegar a 6% até o final do mês. Em janeiro, esse percentual era de 3,5% e em dezembro de 4%.

O diretor do hospital Mário Gatti, Sérgio Bisogni, explicou que no momento não é possível afirmar que uma variante do coronavírus esteja circulando na cidade, sem antes ter os resultados dos exames que estão sendo providenciados pela Secretaria da Saúde. "Mas é um indício clínico que precisamos ficar atentos, porque está mudando um pouco o perfil de internação dos pacientes, e nos preocupa muito o volume de internação e a gravidade dos casos em relação aos meses anteriores", disse o secretário.

Neste cenário, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) resolveu endurecer o combate à pandemia e a transmissão do coronavírus na cidade nos próximos seis dias. De hoje ao dia 1º de março, Campinas entra na fase vermelha do Plano São Paulo de retomada da economia, com restrição de todas as atividades entre 21h e 5h. Durante o dia, o funcionamento das atividades econômicas segue normal, dentro dos limites de 40% da capacidade de atendimento. O setor de bares e restaurantes é novamente o mais afetado pelas medidas de restrição.

Com quase um ano de pandemia, Campinas contabiliza mais de 1,8 mil mortes e ainda um comportamento social com diversos casos de aglomeração. Para especialistas, a medida é bem-vinda, porém considerada um tanto quanto "pedagógica", já que não deve resolver e nem amenizar o problema enfrentado pela cidade.

"Do ponto de vista da epidemiologia é uma medida que deve ser adotada, mas considero ser ainda pedagógica. Ou seja, a medida em si não deve ter repercussão aqui em Campinas. Mas é um alerta para a população. É mais uma forma de tentar que a população entenda que a situação de assistência médica está complicada, e necessita de um comportamento melhor de cada um", disse Raquel Stucchi, médica infectologista da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

A especialista ressalta a necessidade de se melhorar o transporte público, que é um espaço que na cidade gera muita aglomeração. "Adianta fechar tudo e as pessoas continuarem nos pontos de ônibus ou dentro dele uma ao lado da outra", destaca.

O governo municipal, no entanto, não descartou a possibilidade de um endurecimento ainda maior se os números de transmissão do vírus e ocupação de leitos não forem estabilizados.

Fase vermelha

Pelo decreto que será publicado no Diário Oficial do Município hoje, os bares deverão fechar as portas às 20h. Os restaurantes poderão ter público presencial somente até as 21h. "Neste momento, não permitiremos mais as duas horas extras de tolerância para os bares e restaurantes, que terão que encerrar suas atividades presenciais às 20h e às 21h, respectivamente. Depois deste horário, só serão permitidos delivery e retirada", disse o secretário de Justiça, Peter Panutto.

Para representantes dos setores de bares e restaurantes, a medida vai incitar novos protestos. "Já estamos nos organizando para um posicionamento e uma alternativa que será sugerida. Entendemos mais uma vez que a medida da Prefeitura ataca um único setor, o de bares e restaurantes regulamentados. E não são os bares e restaurantes os responsáveis pelas aglomerações" disse Carlos Eduardo Zatta, advogado da Associação de Bares e Restaurantes de Campinas (Abresc).

Ainda segundo as medidas anunciadas pela Prefeitura, os shoppings também devem encerrar suas atividades às 21h. O mesmo vale para serviços como academias, clubes, parques públicos, salões de beleza e similares e atividades presenciais em instituições de ensino noturno. Já no caso das igrejas, mesmo classificadas entre as atividades essenciais, poderão funcionar até 21h. O calendário escolar municipal previsto para retomar as atividades presenciais no início de março está mantido.

Situação grave

A decisão da Prefeitura foi pautada como base nos números de internações por síndromes gripais na cidade, que fazem a triagem dos casos de covid-19 no Município. Nos dados da Rede Mário Gatti, que inclui os atendimentos no Hospital Mário Gatti, o percentual de internações vem crescendo desde o mês de dezembro, podendo chegar a um ápice ao final deste mês.

Nos 21 dias de fevereiro, foram computados 2.233 atendimentos. Do total, 104, ou seja, 4,7% desses atendimentos se transformaram em internações. Isso significa que, de uma média diária de 106 atendimentos, pelo menos quatro viraram casos de internação. A Prefeitura já trabalha com a hipótese desse percentual chegar a 6%. Até o final do mês. No mês de janeiro, esse percentual era de 3,5% e em dezembro de 4%.

A diretora do Departamento Municipal de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea von Zuben, confirmou que foi verificado o aumento da gravidade dos casos mesmo em pessoas sem outras doenças associadas, as chamadas comorbidades. Esse número está na casa dos 10% dos internados.

Sobre a circulação de novas variantes do vírus em Campinas, entre elas a chamada Cepa de Manaus, a diretora informou que aguarda os resultados de 13 exames enviados ao Instituto Adolfo Lutz para sequenciamento genético.

Escrito por:

Da redação