Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 16h18

Por Guilherme Ferraz/ Correio Popular

Expectativa é que data dê respiro ao setor na RMC. Mesmo com números altos da pandemia, comércio espera permanecer aberto

Cedoc/RAC

Expectativa é que data dê respiro ao setor na RMC. Mesmo com números altos da pandemia, comércio espera permanecer aberto

Durante a Páscoa de 2020, grande parte do comércio estava fechado por conta da covid-19, e isso impactou diretamente as vendas do setor. Esse ano, mesmo com taxas de contaminação da doença estando em patamares semelhantes ao pico da pandemia, o comércio, ao que parece, estará aberto nas semanas antecedentes ao feriado religioso.

Isso dá esperança de renda superior a 2020 aos comerciantes e produtores de itens relacionados à data. Segundo a Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas), no ano passado a queda foi de 50% em comparação com 2019 e não houve contratações temporárias. Em 2021, a expectativa é que sejam abertas apenas 550 vagas, que representam 10% das 5.500 contratações de 2019.

Apesar de o setor ainda sofrer com a alta taxa de desemprego, o horário reduzido de funcionamento e as incertezas do rumo da economia devido à má conduta da pandemia da covid-19 por parte do governo federal, que ainda impactam as vendas do varejo. De acordo com a Acic, as perspectivas para a Páscoa de 2021 são de um crescimento de 32,5% no faturamento em relação a 2020. Com vendas estimadas em R$ 354 milhões na RMC (Região Metropolitana de Campinas) e podendo chegar a R$ 175 milhões apenas no município sede.

Mesmo com a perda do poder de compra, o gasto médio por pessoa deverá ser de R$ 110, cerca de 10% acima de 2020. No ano passado, a Páscoa ocorreu no dia 12 de abril, no início da pandemia, zerando as contratações temporárias e reduzindo o volume de vendas em 50% na RMC quando comparado com igual período em 2019, quando o faturamento das vendas atingiu R$ 533 milhões. Em 2020 foram faturados somente R$ 267 milhões.

No entanto, segundo o economista e diretor da Acic Laerte Martins, a expectativa acaba não sendo boa se compararmos com a última Páscoa antes da pandemia. “Se comparada a expectativa de faturamento em 2021, com as vendas registradas na Páscoa de 2019, a queda é de 33,6% no faturamento do comércio varejista. Sem falar da queda brusca da oferta de vagas temporárias, que em 2019 foram 5.500 e agora são apenas 550”.

Esse cenário de baixa oferta de vagas temporárias é confirmado pela diretora de marketing dos supermercados Dalben, Fernanda Dalben. “Mesmo com os supermercados tendo bons faturamentos em 2020, por fazermos parte dos serviços essenciais, nós não iremos abrir vagas temporárias. A incerteza econômica ainda é muito grande e já trabalhamos com um grande quadro de funcionários. Inclusive, com trabalhadores intermitentes que são registrados”.

Fernanda diz que a expectativa é de crescimento nas vendas da Páscoa em comparação ao mesmo período de 2019, mas que não deve superar o ano passado. “2020 foi um ponto fora da curva positivamente, pois no pico da pandemia os supermercados estavam abertos, enquanto o restante do comércio não. A expectativa é de crescimento de 5% nas vendas em relação à Páscoa de 2019, mesmo porque ainda estamos em pandemia e as pessoas devem deixar de viajar e devem continuar consumindo no comércio local”.

Alternativa de renda

Para superar a crise econômica e aumentar, ou mesmo ter renda, muitas pessoas aproveitam a Páscoa para fabricarem e venderem produtos relacionados à data. E não pense que a criatividade fica limitada apenas aos chocolates não. Outros pratos salgados também são elaborados para rechear o orçamento familiar.

Como é o caso da psicóloga, Michaela Furlanetto Mieli. Ela conta que aproveita a Páscoa para completar a renda de casa. “Já faz 10 anos que eu e minha família aproveitamos a data como uma alternativa para garantirmos um dinheiro a mais. Não fazemos só bombons e ovos não, fabricamos vários tipos de salgadinhos e tortas”.

Michaela espera que as vendas desse ano superem as de 2020. “O ano passado foi muito ruim para as nossas vendas, foi bem baixo, mas esse ano com o comércio aberta a expectativa é que melhore bastante”.

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Guilherme Ferraz/ Correio Popular