Publicado 22 de Fevereiro de 2021 - 14h15

Por Guilherme Ferraz/ Correio Popular

Frentista troca placa de preços em posto de combustíveis em Campinas: quarto e maior reajuste do ano

Ricardo Lima/ Correio Popular

Frentista troca placa de preços em posto de combustíveis em Campinas: quarto e maior reajuste do ano

Na última quinta-feira (18), a Petrobras anunciou mais um aumento dos preços médios de venda aos distribuidores de combustíveis, que passaram a vigorar desde ontem. É o quarto e maior reajuste de preços do ano, que elevou ainda mais os valores que já estavam altos. O óleo diesel ficou 15,2% mais caro e a gasolina 10,2%. Os combustíveis já acumulam altas de 27,5% e 34,8%, respectivamente, em 2021 e o consumidor pergunta como suportar tantos aumentos.

A reportagem do Correio Popular percorreu ontem cerca de 20 postos de combustíveis de Campinas e constatou grandes variações nos preços dos combustíveis. Verificou-se a diferença de R$ 1,19 por litro de diesel, R$ 0,60 na gasolina e R$ 0,50 no litro de etanol. Enquanto o litro do diesel variou entre R$ 3,59 e R$ 4,78, a gasolina esteve entre R$ 4,39 e R$ 4,99. Já o etanol, foi encontrado entre R$ 3,59 e R$ 4,09.

O comerciante Antônio Roberto que estava abastecendo no posto mais em conta de Campinas, segundo a apuração da reportagem, diz que sempre pesquisa antes de comprar o combustível. "Parei aqui porque esse posto ainda não subiu o preço do diesel, mas pode ter certeza que nos próximos dias sobe".

O motorista de aplicativo, Nilson Souza, diz que está quase impossível trabalhar e que estava usando o aplicativo do posto para ganhar desconto no valor do combustível. "Hoje rodei cerca de 30 postos para encontrar um mais em conta e parei nesse porque eles dão desconto pelo aplicativo. Ainda vai ficar alto, mas pelo menos tem um desconto".

O jardineiro André Lopes viaja de Campinas para Jaguariúna todos os dias e diz que aproveitou que o etanol não subiu para completar o tanque e criticou a postura dos donos de postos. "Está um boato que o álcool também vai aumentar, então vim encher o tanque. Uma sacanagem que fazem é que mesmo com o estoque antigo, eles sobem os preços nas bombas".

Segundo o montador Rodrigo Souza, que estava abastecendo em um posto da Avenida Aquidabã, em Campinas, diz que anda cerca de 35 quilômetros por dia e que o aumento do combustível reflete diretamente no orçamento do mês. "A gasolina já estava cara e agora aumentou de novo. Eu ando de moto para economizar, mas estou de carro porque quebrei o braço e agora estou gastando cerca de R$ 600 por mês".

O motorista de caminhão de combustíveis, Aparecido Barbosa, conta que viaja de Paulínia para Campinas quase todos os dias e que percebe a diferença nos preços. "Ando bastante aqui nas estradas da região e fico de olho nos preços. Costumo abastecer em Paulínia porque é mais barato do que aqui em Campinas. Acho que deve ser porque a refinaria é lá".

Flutuação de preços

A flutuação de alta dos preços dos combustíveis no Brasil está diretamente relacionada à orientação que a Petrobras tem de repassar as alterações internacionais do preço do petróleo ao mercado brasileiro. São duas razões: primeiro pela movimentação do preço do barril no mercado internacional e, em segundo, pelas variações cambiais quando o real desvaloriza em relação ao dólar, o que torna mais cara a aquisição do combustível importado e ao mesmo tempo a definição interna do preço.

É o que explica o economista Marcio Pochmann: "O que estamos vivendo hoje é uma mudança da política de formação de preços por parte da Petrobras. Antes a Petrobras não repassava alterações cambiais em relação ao preço do petróleo de forma imediata, mas agora não existe mais isso. Ou seja, mudou o preço internacional do petróleo e isso é imediatamente passado para o preço interno".

Pochmann critica a mudança na política de formação de preços da Petrobras e diz que a empresa perdeu seu papel de estatal. "O papel da empresa pública é estabilizar o preço, mas não é isso que estamos vendo, muito pelo contrário, a Petrobras está fugindo das atribuições que são próprias de uma empresa pública.

Quando ela opera visando o seu lucro e dos seus acionistas, como parece ser o caso, ela opera como uma empresa privada e deixa de ser necessária. Afinal, o que justifica a existência de uma empresa pública é ela operar de forma diferente da empresa privada. E o resultado disso é o que nós estamos acompanhando: o disparo dos preços".

O presidente do Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas), Flávio Campos, concorda com o economista e diz que o setor de postos de combustíveis está sufocado. "A Petrobras vem aumentando gradativamente o preço dos combustíveis e nós tentamos segurar ao máximo, mas chega um ponto que temos que repassar. Infelizmente, o setor está operando no vermelho e a grande maioria dos donos de postos não conseguiu fazer estoque para segurar o preço".

Flávio afirma que os postos não são os culpados pela alta dos preços. "O nosso lucro é de cerca de 10% em cima do valor do combustível. Todo mundo sempre bate em cima da gente, mas o problema do preço está na tributação".

Segundo Flávio Campos, as variações nos preços dos combustíveis em postos de Campinas, estão ligadas a vários fatores: "Apesar de termos um monopólio na produção dos combustíveis com a Petrobras, os fornecedores, distribuidores e administradores são diferentes. Quem conseguiu ter capital para montar um pequeno estoque vai poder manter o preço mais baixo por um tempo. Além disso, nesse contexto, o posto de bandeira branca é favorecido, pois ele não tem contrato de exclusividade e pode comprar de distribuidoras diferentes".

Segundo o último levantamento de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), divulgado no último dia 13, Campinas tinha o valor bruto mais alto do óleo diesel do Estado de São Paulo: R$ 4,369, que percebemos que já subiu para R$ 4,78.

E os altos valores não param por aí. Ainda segundo a ANP, apesar de Campinas não ter o maior preço médio da gasolina na RMC (Região Metropolitana de Campinas), ficando atrás apenas de Vinhedo em 1º e Hortolândia em 2º, a cidade também registrou o maior valor bruto: R$ 4,899.

Escrito por:

Guilherme Ferraz/ Correio Popular