Publicado 20 de Fevereiro de 2021 - 18h03

Por Correio Popular

O programa de inserção de estudantes indígenas no vestibular da Unicamp ganha corpo e maior número de participantes, numa demonstração de sucesso indiscutível. A integração das comunidades indígenas, a maioria do norte amazônico, ao Ensino e à Pesquisa numa das instituições mais importantes da América Latina evidencia o quanto o conhecimento acadêmico é universal.

Na edição deste ano do vestibular, 1.697 candidatos de várias etnias indígenas vão disputar 88 vagas em diversas áreas da graduação. De certo modo, o número ainda é pequeno frente à grandeza da Universidade, que conta com quase 35 mil alunos nos cursos de graduação e nos programas de pós-graduação. Hoje, há apenas 136 alunos indígenas matriculados, cursando regularmente a graduação. A quantidade representa apenas 0,4% do total de estudantes.

Além do desafio acadêmico enfrentado por todos eles, a integração com os hábitos e a cultura do mundo urbano das cidades paulistas representa um enorme esforço para que conquistem a cidadania plena. Como ressalta o estudante de Engenharia Elétrica, Arlindo Baré, representante do Coletivo Acadêmicos Indígenas na Unicamp: "Além do conhecimento da nossa cultura, precisamos ter voz. E para isso precisamos ter embasamento para continuar a luta de questionar essa esfera negacionista em relação" aos direitos dessas comunidades. Nesse diapasão, agora reclamam a abertura de vagas no vestibular das faculdades de Medicina e Enfermagem. A área da Saúde poderia contribuir com a formação de médicos e enfermeiros, à qual os jovens ainda não têm acesso.

A participação dos estudantes indígenas no vestibular da Unicamp é uma realidade que se reafirma num cenário pandêmico, o qual exige maior adaptação de cada um deles ao instrumental de estudos e a um ambiente cultural estranho. Tanto, que o diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares, professor José Alves de Freitas Neto, reconhece que mesmo com as "condições adversas", o vestibular indígena está consolidado.

A integração das comunidades indígenas às instituições de ensino, no País, é parte de políticas muito recentes. E a Unicamp saiu à frente, há pouco mais de dois anos, para acolher os brasileiros residentes nas regiões mais remotas do País, como São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro, e Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, municípios extremos.

O programa Vestibular Indígena é um convincente indicador de como o Brasil pode ser um país mais justo.

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