Publicado 20 de Fevereiro de 2021 - 17h33

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Usuários do sistema de transporte coletivo de Campinas em ponto da Avenida Senador Saraiva: Prefeitura informa combater aglomeração em festas clandestinas, mas não faz o mesmo com os ônibus

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Usuários do sistema de transporte coletivo de Campinas em ponto da Avenida Senador Saraiva: Prefeitura informa combater aglomeração em festas clandestinas, mas não faz o mesmo com os ônibus

A Prefeitura de Vinhedo decidiu adiar a retomada das atividades presenciais nas escolas municipais para o dia 5 de abril. A medida foi adotada por causa do aumento do número de casos confirmados de covid-19 nos últimos dias na cidade. Pelo mesmo motivo, a Administração local determinou o cancelamento da tradicional Festa da Uva e do Vinho. Ontem, o município registrava 4.097 casos confirmados de coronavírus e 62 mortes. Outros 237 pacientes suspeitos aguardavam resultados de exames para confirmar ou descartar a doença. Em Campinas, ações para prevenir as aglomerações são colocadas em segundo plano pela Prefeitura, que prefere focar os esforços na criação de leitos de UTI. Diariamente, os usuários do sistema de transporte público da cidade são obrigados a espremerem-se em ônibus lotados. 

Prevenção fica em segundo Plano em Campinas

Política da Prefeitura de Campinas está mais focada em tratar doentes do que em evitar a covid

A política adotada pela Prefeitura de Campinas para combater à pandemia de covid-19 evidencia uma estratégia focada no tratamento das pessoas contaminadas e não na prevenção da doença. A avaliação parte de especialistas que participam dos estudos que monitoram o avanço do coronavírus no Estado. Segundo eles, o momento ainda é de muita cautela.

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Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, está prevista a abertura de pelo menos mais 45 leitos de enfermaria para o mês de março na cidade. Do total, 21 serão instalados no Hospital Mário Gatti, com abertura prevista para a próxima segunda-feira. Os demais 24 serão abertos no Hospital Metropolitano Anchieta, dentro de 15 a 20 dias. A taxa de ocupação de leitos exclusivos para pacientes covid em Campinas encerrou a semana em 83,78%. Ou seja, dos 259 unidades disponíveis nas redes pública e particular, 217 estão ocupados e 42 leitos, livres.

Ontem, o governo do Estado divulgou a manutenção dos municípios que integram o Departamento Regional de Saúde 7 (DRS 7), entre eles Campinas, na fase amarela do Plano São Paulo, a menos restritiva. Para o médico infectologista André Giglio Bueno, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), os números de casos da covid-19 notificados na cidade não refletem a classificação branda do município no Plano São Paulo, e podem passar uma falsa imagem para a população campineira.

"O que vemos é que a decisão do governo do Estado de manter a região na fase amarela não é muito compatível com a situação verificada em Campinas. Isso pode passar para a população uma falsa impressão de que as coisas melhoraram. A população pode achar que está tudo bem. Pelos números, Campinas não deveria receber essa classificação", reforça. De acordo com os dados do Observatório da PUC-Campinas sobre a covid-19 no Estado, o município segue como o que registra o maior número de mortes por 100 mil habitantes entre os 42 que compõem a DRS-7, e entre o grupo dos 25% que registram as maiores taxas de mortalidade em todo o Estado.

Para Bueno, Campinas ainda terá que enfrentar os efeitos das aglomerações registradas no período do Carnaval e a ação da nova variante brasileira do vírus, que possui maior capacidade de transmissão. "Ao analisar os números e as taxas de ocupação, o ideal seria a intensificação das medidas de isolamento social. Os índices de ocupação de leitos nos atuais patamares exercem uma pressão muito grande sobre o sistema de saúde municipal", ressalta.

Os 42 municípios da DRS-7 registraram 206,4 mil casos e mais de cinco mil mortes até o último dia 13 de fevereiro, uma letalidade de 2,46%, considerada a segunda maior do Estado, ficando atrás apenas da Grande São Paulo. Na Região Metropolitana de Campinas esses números são de 149,2 mil casos e 3,8 mil mortes até o momento, uma letalidade de 2,55%. Em Campinas, são 55 mil casos de contaminação, com 1,8 mil mortes - letalidade de 3,2%.

Para o coordenador do núcleo de estudos do Observatório PUC-Campinas, o economista Paulo Oliveira, em hipótese alguma é momento de relaxamento das medidas de distanciamento. Ele pondera que um esforço político para ampliar a testagem na população poderia reduzir a taxa de letalidade do vírus. "A letalidade da doença está relacionada à capacidade de testagem que o município possui. Quando se consegue fazer uma política em que é grande o número de testes na população, é possível isolar os contaminados e frear a transmissão. Quando isso não ocorre, observamos uma taxa de letalidade mais elevada", explica.

Outro dado da pesquisa que acende o sinal de alerta para a cidade está nas internações em UTI covid. Entre os municípios da DRS-7, os dados apresentaram queda de 5%, segundo a pesquisa. No balanço entre as cidades da Região Metropolitana de Campinas, os números permanecem estáveis. Entretanto, quando se observa Campinas isoladamente é nítida a elevada pressão sofrida pelo sistema de saúde. As ocupações de leitos SUS municipal superaram os 90% na última semana, além de evidenciarem uma clara desproporção entre sistema público e privado, restando a este último a solução para um eventual colapso. Na rede particular, existe a expectativa de abertura de leitos na Santa Casa de Misericórdia e Hospital Samaritano, além de cinco unidades no HC da Unicamp, estas referentes ao SUS Estadual.

Movimentação no Centro de Campinas: Prefeitura troca medidas preventivas de isolamento por criação de leitos para tratar infectados por covid-19

Vinhedo adia aulas e cancela Festa da Uva

Prefeitura adota medidas por causa do avanço dos casos de covid

Da Redação

A retomada das aulas presenciais nas escolas municipais de Vinhedo foi adiada para o dia 5 de abril. A medida foi adotada pela Prefeitura da cidade por causa do aumento do número de casos confirmados de covid-19 nos últimos dias. O retorno presencial será gradual, conforme o Plano São Paulo de combate ao coronavírus do governo estadual. Ontem, o município registrava 4.097 casos confirmados de coronavírus e 62 mortes. Outros 237 pacientes suspeitos aguardavam resultados de exames para confirmar ou descartar a doença.

O prefeito Dario Pacheco justificou a medida alegando que o momento exige cautela. "Queremos garantir educação de qualidade e acolhimento às nossas crianças, mas também precisamos proteger nossos moradores dessa doença que está se espalhando, com o surgimento de novas variantes do vírus. Neste momento, estamos certos de que adiar as aulas presenciais é a melhor alternativa".

A secretária de Educação, Eliana Chrispim, alertou os pais que os conteúdos curriculares serão aplicados em março. "Neste mês de fevereiro as atividades foram de acolhimento, de retomada de conteúdos. A partir de março serão aplicados conteúdos curriculares das disciplinas. Pedimos atenção aos pais e alunos para a realização das atividades", destacou.

Segundo a secretária, a atual estrutura tecnológica das unidades escolares não permite que as aulas aconteçam ao vivo, transmitidas pela internet. "Infelizmente, neste momento não contamos com essa estrutura tecnológica", explicou. Vinhedo tem 10,3 mil alunos na rede municipal e 1,5 mil profissionais de educação, dos quais aproximadamente 200 estão afastados porque integram grupos de risco à covid-19.

A secretária comentou que as escolas estão preparadas para receber os alunos de forma presencial, após a execução de ações de limpeza, higienização e pequenas reformas. "Foram realizadas intervenções em 18 unidades no último mês, como limpeza de calhas e pequenos reparos, entre outros", elencou. Segundo ela, a Secretaria está realizando um balanço da situação estrutural das 35 unidades de ensino para executar reformas necessárias, e vai solicitar vistoria da Defesa Civil. "Praticamente todas estão precisando trocar o telhado", adiantou.

Festa da Uva

A tradicional Festa da Uva e do Vinho também foi cancelada pela Prefeitura de Vinhedo como medida preventiva à expansão do contágio da covid-19. A viabilidade de uma versão da festa no formato drive thru, com apresentações culturais online, chegou a ser discutida, mas o município optou por cancelar qualquer festividade em função do aumento do número de contaminados na cidade.

Os recursos que seriam destinados ao evento serão utilizados para a realização de reformas nas estruturas culturais de Vinhedo e projetos da classe artística. O secretário de Cultura e Turismo, Leonardo Augusto Cardoso de Oliveira, informou que já está em contato com produtores rurais, vitivinicultores e associações culturais e de artesãos de Vinhedo para planejar um novo formato para festa nos próximos anos.

"Em 2022 queremos realizar uma festa muito bonita, que valorize as tradições culturais, os produtores rurais e de vinhos artesanais da nossa cidade. Vamos fazer um evento para reunir as famílias e festejar nosso patrimônio, que são as nossas tradições, nossos artistas, nossa produção cultural e artística", antecipou o secretário.

 

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular