Publicado 19 de Fevereiro de 2021 - 12h22

Por Correio Popular

A Campanha da Fraternidade, deste ano, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), é aberta em meio a uma pandemia que acentua o cenário de crise no País. A mensagem que norteia a campanha é extremamente oportuna e alvissareira. "Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor" sintetiza um apelo magnífico numa época de divisão política e ideológica e de temor à infestação do coronavírus.

A campanha conta ainda com a participação da Igreja Betesda e do Centro Ecumênico de Serviço de Evangelização e Educação Popular (Cesep), o que demonstra o empenho dos cristãos, católicos e evangélicos, em darem as mãos sob o compromisso que orienta a fraternidade.

A mensagem é clara e responde a uma sociedade que precisa realinhar-se moral e politicamente, de modo a engrandecer os atos tanto os individuais como os coletivos. Ao destacar a "prática da caridade e do amor fraterno" (CP, 17/02, p. A2), o monsenhor José Eduardo Meschiatti aponta a relevência da campanha e o itinerário que deve ser seguido pelos cristãos. E adiciona-se o sentido da palavra respeito, que hoje nem sempre é encontrada no vocabulário daqueles que desprezam o outro por viver e pensar de modo diferente.

O arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom João Inácio Müller, ao abrir a campanha, fez um chamamento às comunidades de fé para "superar polarizações e violências do mundo", pois os grupos sociais não podem ser fechar em "bolhas" que negam a solidariedade, a fraternidade.

A mensagem da campanha não é apenas um texto a ser lido. Trata-se de orientação prática para a adoção de um comportamento irmanado. No campo das diferenças ideológicas ou políticas, saber entender o outro sem cometer o vício do insulto fácil. No âmbito do combate à pandemia, os meros cuidados com a higiene pessoal e o uso de máscara, por exemplo, são indicativos de respeito ao outro. Somente "ações concretas", como salientou o arcebispo, podem superar também a violência praticada contra os mais variados grupos sociais, como o das mulheres, dos negros, das lésbicas, gays, travetis, transsexuais e transgêneros.

Uma sociedade não é uma massa uniforme, absoluta e indivisível. Basta ler a história, desde os mais elementares ensinamentos cristãos, para encontrar na pluralidade e na diversidade do pensamento, da fé religiosa e da cultura a riqueza da condição humana. A Campanha da Fraternidade é um momento de reflexão sobre isso.

 

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