Publicado 18 de Fevereiro de 2021 - 12h26

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Sala de aula com poucos alunos na Escola Estadual “Dr. Disnei Francisco Scornaienchi”, localizada no Parque Jambeiro, em Campinas: vários pais optaram por manter os filhos estudando remotamente

Ricardo Lima/ Correio Popular

Sala de aula com poucos alunos na Escola Estadual “Dr. Disnei Francisco Scornaienchi”, localizada no Parque Jambeiro, em Campinas: vários pais optaram por manter os filhos estudando remotamente

Apenas 60% dos alunos previstos para o retorno presencial nas escolas estaduais participaram da primeira semana de aula, que teve início no dia 8 de fevereiro. O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, informou que 600 mil alunos compareceram, diante dos mais de um milhão que poderiam retornar por meio do sistema de revezamento em todo o Estado.

Em Campinas, a situação foi a mesma. De acordo com Rossenilda Gomes Farias, dirigente da Regional de Ensino Campinas Oeste, o que pode ter justificado essa baixa na presença dos alunos é o fato de o comparecimento não ser obrigatório. As famílias dos estudantes têm a liberdade de decidir ente encaminhá-los para escola ou mantê-los em casa, usando o ensino remoto.

Para que o retorno ocorresse com segurança, cada escola fez um planejamento para receber os estudantes, dentro da capacidade de atendimento de cada escola, limitada ao máximo de 35%. Em Campinas há 160 escolas estaduais, que atendem 112 mil alunos. A expectativa era que retornassem 7 mil estudantes por dia, de acordo com a divisão feita pelas instituições, mas esse número ficou a baixo do esperado.

O grupo que mais compareceu na primeira semana foi composto por alunos do primeiro ao quinto ano, do período da tarde. Rossenilda tem uma explicação para o fato. "A maior adesão desse grupo deve-se provavelmente ao fato de os pais precisarem trabalhar e não terem com quem deixar os filhos. Também é saudável para a criança ter essa vivência do ambiente escolar de volta, interagindo com os outros colegas de sala, mas sempre respeitando as normas de segurança. É a volta da rotina escolar", considerou. 

As salas que tiveram menor presença são as do período noturno. Na última terça-feira, essa tendência persistia. À noite, eram previstos 2.796 estudantes, mas a adesão ficou em 1.150, ou seja, 41% do esperado. "Daqui duas semanas esse cenário deve mudar, e a adesão aumentar. Até lá as pessoas vão ter entendido melhor como os protocolos de segurança estão sendo colocados em prática. Vamos continuar com a ideia de fortalecer isso dentro e fora da escola", concluiu a diretora de Ensino.

Para Maria Márcia Malavasi, docente e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o retorno de 60% dos alunos do Estado ocorreu por medo dos pais, de expor o filho à infecção da covid-19. "A população acabou de compreender a gravidade desse retorno presencial. Há meios de se manter o aprendizado, mas pelo ensino remoto. Voltar à escola neste momento, sem todos estarem vacinados, isso representa um risco grande", advertiu.

Para a educadora, a volta deveria ocorrer apenas depois que todos da área da educação fossem vacinados. "Com as crianças, as dificuldades são maiores em se manter o total controle do uso das medidas de segurança. As famílias têm medo. Entre o ensino e a vida, elas optam pela vida. Como os alunos não vão ter falta, caso continuem com o ensino à distância, essa será a forma de aprendizado que deve ter maior aderência de agora em diante", inferiu.

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