Publicado 17 de Fevereiro de 2021 - 13h02

Por Correio Popular

Paciente com covid-19 em estado grave é transferido para outra cidade: falta leitos e respiradores em Manaus

Agência Brasil

Paciente com covid-19 em estado grave é transferido para outra cidade: falta leitos e respiradores em Manaus

O professor Everton Lima critica a falta de postura do governo federal no enfrentamento à pandemia. "O misticismo em negar a pandemia, em questionar a ciência e em desvalorizar a saúde é o grande causador dessa situação catastrófica em que nós estamos", assinala. Para ele, o governo federal, além de atrapalhar e atrasar o combate à progressão da covid-19, também é o culpado por a economia brasileira estar em crise.

"O presidente é o pilar de uma dicotomia falha: Economia x Saúde. O discurso dele sempre foi de que a pandemia iria comprometer a economia, mas quanto mais se adia o combate à doença, mais você vai manter a economia parada. Se tivesse feito o dever de casa, com certeza a economia brasileira estaria se recuperando", entende o docente da Unicamp.

 

Lima questiona se a demora na imunização pode influenciar na eficácia das vacinas em relação às novas variantes recentemente identificadas. "O que está acontecendo em Manaus era uma tragédia anunciada desde o meio do ano passado. Eu não sou infectologista, por isso não posso afirmar, mas será que as vacinas são eficazes em relação a essas novas variantes que estão surgindo?", questiona.

O professor Everton Lima: governo federal não fez dever de casa

Para o infectologista André Giglio Bueno, também da Unicamp, a eficácia vai depender do tipo da vacina e da cepa variante, mas ele observa que ainda não existem dados que permitam fazer uma conclusão categórica. "Nós ainda não temos dados consistentes sobre essa questão. É bem provável que o nível de eficácia não será zero e nem 100%. Ou seja, o fato de termos identificado essas novas variantes não vai permitir descartar totalmente nenhuma vacina. Provavelmente os imunizantes não perderão totalmente sua eficácia, mas pode ser que eles não mantenham a capacidade de proteção divulgada anteriormente".

Segundo Bueno, estudos estão sendo feitos justamente para que seja possível entender o papel das vacinas em relação a essas novas variantes. "A variante do Reino Unido foi objeto de alguns estudos, principalmente com as vacinas de RNA, da Pfizer, da Moderna e de Oxford. Aparentemente, não tiveram tanta diminuição de eficácia".

Sobre a eficácia das vacinas em relação à cepa do Amazonas, que foi registrada em Campinas, o médico diz que ainda existem dúvidas. "Nós ainda não temos dados consistentes publicados para nenhuma das vacinas em relação a essa cepa. Sabemos apenas que o Instituto Butantã já teria feito alguns estudos iniciais com as outras cepas do Reino Unido e sul-africana, mas não com a cepa de Manaus. Mas como a Coronavac utiliza o vírus inteiro inativado, ela tem uma oferta maior de antígenos e teoricamente é menos suscetível a essas novas variantes", detalha.

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