Publicado 17 de Fevereiro de 2021 - 11h28

Por Mariana Camba/ Correio Popular

A professora Esther Colombini, do Instituto de Computação: uso de inteligência artificial para derrotar o coronavírus

Divulgação/ Unicamp

A professora Esther Colombini, do Instituto de Computação: uso de inteligência artificial para derrotar o coronavírus

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio do Instituto de Computação (IC) e em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial capaz de analisar multidados em busca de novos padrões relacionados à transmissão e à gravidade da covid-19 e às suas novas variantes. O projeto foi uma das 12 iniciativas brasileiras selecionadas pelo Comitê Internacional das Agências de Fomento do Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O projeto da Unicamp, denominado BRICSmart, é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O anúncio da escolha ocorreu no último dia 13 de fevereiro. De acordo com Esther Luna Colombini, coordenadora do estudo e professora do Instituto de Computação, a ideia é que os algoritmos inteligentes forneçam informações relevantes que ajudem no combate à pandemia causada pela covid-19.

A pesquisadora explica que a ideia é que os algoritmos analisem os dados sobre a doença disponíveis, por exemplo, nos prontuários dos pacientes. "Queremos identificar possíveis variações que vão além dos dados obtidos com exames. São informações 'escondidas' nos dados, que possivelmente passariam despercebidas. De posse delas, os tomadores de decisão poderão desenvolver programas e políticas públicas mais precisas de combate à covid-19, inclusive em âmbito regional", detalha.

O programa, acrescenta Esther, precisa ser "treinado" para que consiga identificar esses padrões. "Primeiro, a ferramenta tem que ser alimentada com novos dados, para que os algoritmos possam saber como filtrar e usar essas informações. Depois, é preciso que esse processo seja concluído, à medida que forem recebendo novos registros dos pacientes. Com isso, será possível identificar possíveis mudanças de comportamento na progressão da doença", explica.

O BRICSmart é diferente dos demais programas de mesma natureza, devido à sua capacidade de análise de informações, com acesso a multidados. Tem possibilidade, inclusive, de checar dados que vão além do prontuário, como a localização geográfica do paciente e o hospital em que ele foi atendido, para poder associar os chamados padrões de risco.

Colombini enfatiza que um aspecto importante nesse tipo de estudo é a colaboração com outras universidades, no caso a USP e Unesp. "Trata-se de duas universidades que contribuem com competências complementares, por oferecerem profissionais especialistas na área de inteligência artificial e de epidemiologia. Além disso, auxiliam no acesso à massa aos dados dos hospitais geridos por essas instituições", analisa.

O projeto é desenvolvido para obter resultados em longo prazo. Nos próximos seis meses, as informações consolidadas devem proporcionar análises mais precisas. A duração do programa é de dois anos. O projeto da Unicamp é desenvolvido paralelamente a outros três, por Rússia, Índia e África do Sul, com outras abordagens relativas à covid-19. Quando os estudos forem concluídos, haverá troca de informações e de tecnologias, de modo que haja um avanço mais consistente do conhecimento em torno do comportamento da doença.

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