Publicado 16 de Fevereiro de 2021 - 11h17

Por Da redação

Desembarque doméstico do Aeroporto de Viracopos: idosa portadora da viarante brasileira do coronavírus chegou à Campinas pelo terminal

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Desembarque doméstico do Aeroporto de Viracopos: idosa portadora da viarante brasileira do coronavírus chegou à Campinas pelo terminal

O registro do primeiro caso da nova variante brasileira do coronavírus em Campinas, anunciado ontem pela Prefeitura, acendeu o alerta para o risco de uma nova onda de contágio de covid-19 na cidade. Estudos apontam que essa cepa tem mutações que aumentam a afinidade do vírus com os receptores, o que a torna potencialmente mais transmissível. Ainda que a ciência não saiba exatamente qual é a capacidade de transmissão do vírus mutante, especialistas sinalizam para a necessidade de uso de mais de uma máscara de proteção facial e até a possibilidade de restrições mais severas na circulação de pessoas como medidas de controle do contágio.

Em Campinas, a nova variante do coronavírus, conhecida como cepa de Manaus, foi confirmada numa mulher de 78 anos que ficou internada em um hospital da rede particular do município entre 14 e 25 de janeiro. A idosa chegou à cidade por meio do Aeroporto Internacional de Viracopos, em voo vindo de Manaus. Durante o desembarque, ela apresentou os sintomas da doença e foi encaminhada para uma unidade de saúde do município. A Prefeitura recebeu durante o final de semana, do Laboratório Adolfo Lutz, o resultado do exame que confirmou a nova variante do vírus.

Diante do aparecimento de outros casos dessa nova cepa do vírus em cidades do interior e na Capital, a Secretaria Municipal de Saúde de Campinas emitiu uma nota informando sobre os protocolos de segurança aplicados no caso da idosa. No texto, a Pasta informou que até o término do período de contágio a idosa não circulou pela cidade. Explicou também que monitora todos os passageiros que estavam próximos à mulher, assim como as duas filhas dela. A paciente, conforme a Secretaria, retornou à Manaus.

Para especialistas, no entanto, apesar dos protocolos de segurança utilizados, o perigo de contágio é grande. O médico André Giglio Bueno, infectologista do Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas, diz que se essa variante passar a ser dominante na cidade, Campinas enfrentará situações semelhantes ao que ocorre em Manaus. "Essa nova variante traz consigo um aumento da afinidade do vírus com os receptores, ou seja, ela torna a doença potencialmente mais transmissível. O comportamento explosivo da epidemia no mês passado em Manaus pode ter relação com o fato dessa nova variante ter dominado as infecções na cidade", inferiu.

O especialista ressalta ainda a dificuldade de as cidades realizarem com agilidade a testagem dos casos na população, o que atrapalha a definição do real quadro dos infectados pela nova variante. "Hoje ainda se testa muito pouco, e por essa nova variante ser potencialmente mais transmissível, vamos precisar de um rigor maior com as medidas de proteção", ressaltou Bueno.

Segundo ele, as formas de se evitar a transmissão dessa nova variante são as conhecidas. O médico chama a atenção, no entanto, para a qualidade ou quantidade das máscaras faciais. "Se as pessoas seguirem as medidas com rigor, como evitar aglomerações, usar máscara de boa qualidade corretamente - talvez mais que uma -, manter o distanciamento físico e evitar ambientes fechados, as medidas vão continuar sendo eficazes, a despeito da cepa que esteja incluída nesse novo cenário", concluiu.

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