Publicado 15 de Fevereiro de 2021 - 13h42

Por Guilherme Ferraz/ Correio Popular

O objetivo é arrecadar alimentos não perecíveis e itens de higiene pessoal para famílias carentes que vivem na região de Barão Geraldo e a área do Grande São Marcos

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O objetivo é arrecadar alimentos não perecíveis e itens de higiene pessoal para famílias carentes que vivem na região de Barão Geraldo e a área do Grande São Marcos

O Carnaval de 2021 chegou, mas por conta da pandemia da covid-19 e dos altos índices de contaminação e ocupação de leitos hospitalares exclusivos para tratamento da doença, o governo de São Paulo cancelou o feriado. A folia dos desfiles e blocos de rua e as festas particulares terão que esperar. Porém, entidades do distrito de Barão Geraldo, em Campinas, famoso pela tradição em comemorar a festa, decidiram não deixar a data passar em branco e promovem a campanha Carnaval Sem Fome, iniciada ontem. O objetivo é arrecadar alimentos não perecíveis e itens de higiene pessoal para famílias carentes que vivem na região de Barão Geraldo e a área do Grande São Marcos.

O novo coronavírus continua fazendo vítimas no Brasil e comprometendo a economia de muitas famílias, que se encontram em situação de vulnerabilidade. Para contribuir com essa população, os blocos de rua, o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança), a Unicamp e a Vizinhança Solidária de Barão Geraldo se uniram em busca de uma mesma causa: ajudar quem precisa.

A ideia de fazer a campanha é fruto de uma série de outras ações realizadas pelas instituições e pelas necessidades impostas por conta da pandemia. Com a volta do aumento das infecções e a necessidade de estender as medidas de isolamento social, mais famílias voltaram a sofrer os efeitos da crise econômica.

A presidente do Conseg de Barão Geraldo, Neusa Monteiro Fernandes, conta que desde o início da pandemia a demanda por ajuda aumentou muito. "Desde março nós percebemos o crescimento das necessidades das pessoas. O desemprego aumentou demais e essas pessoas começaram a precisar de ajuda".

Neuza diz que está emocionada por ver tantos grupos trabalhando juntos. "Percebi que um número grande de pessoas está querendo ajudar e isso é ótimo. Instituições tão diferentes, mas em prol da mesma causa, que é ajudar quem precisa. Caso recebermos muitas doações, encaminharemos para outras regiões de Campinas".

De acordo com a coordenadora da Secretaria de Vivência dos Campi (SVC) da Unicamp, Lina Amaral Nakata, um fato que chama a atenção é a diversidade entre as pessoas que integram as entidades responsáveis pela organização da campanha Carnaval Sem Fome. Com formas de atuação e especialidades diferentes, o grupo tem um perfil heterogêneo, mas que fala a mesma língua quando o assunto é solidariedade na pandemia.

"A potencialidade que essa união tem, de atingir um número maior de pessoas, passa uma mensagem interessante, que é deixar de lado qualquer diferença e colocar em primeiro lugar o combate à fome, que é uma situação que se agravou muito agora durante a pandemia. Acreditamos que é isso que trará sucesso para a campanha, conseguindo o maior número de doações possível, o importante é que todo mundo consiga participar", comenta Nakata.

Uma grande preocupação da organização do evento é não causar aglomerações. Por isso, foram desenvolvidos esquemas para que as doações possam ser feitas em drive-thru, para que as pessoas não precisem sair de seus carros, ou pessoalmente, no caso de quem estiver a pé. O planejamento também inclui protocolos para os voluntários que vão trabalhar durante a campanha.

A representante da Unicamp na campanha explica: "Nós estamos usando como base o protocolo de segurança contra a covid-19 montado pela Unicamp. Os itens doados serão devidamente higienizados e aconselhamos os voluntários a usarem máscara, álcool em gel e a manterem o distanciamento social de dois metros".

As doações serão encaminhadas a instituições beneficentes que atendem as famílias em situação de vulnerabilidade. Elas ficarão responsáveis pela distribuição dos alimentos conforme a necessidade das famílias.

O psicanalista, comerciante e tutor do grupo Vizinhança Solidária, Felipe Bonatto, diz que está mobilizando a população de Barão Geraldo para participar da campanha. "Estamos entrosados com as outras instituições e vamos juntar todo o pessoal para ajudar. Participar dessa iniciativa é uma sensação extraordinária".

Felipe conta que nasceu e mora em Barão Geraldo e que o impacto da falta do Carnaval é muito grande para o distrito. "O Carnaval é famoso em Barão e o impacto de ficar sem a festa é muito grande. Pensamos que não poderíamos ficar sem fazer nada e decidimos pela campanha".

Segundo o documentarista e membro do Bloco do Cupinzeiro, Hidalgo Romero, a intenção da campanha é usar o Carnaval para chamar a atenção para o problema da fome. "Queremos usar essa natureza do Carnaval em prol de ajudar quem está vulnerável, pois a fome não é incondicional, ela não te dá opções e ela te impõe uma urgência. Quem tem fome tem agora".

Para ele o Carnaval é historicamente um espaço de resistência cultural. "O Carnaval é representação de resistência, é um espaço democrático, é a ocupação do espaço público. Não podíamos deixar de celebrá-lo, ainda mais no momento político que estamos". Além do Bloco do Cupinzeiro, participam da campanha os blocos União Altaneira, Berra Vaca, JegueGerso, Maracatucá, Bloco Matuá e das Caixeirosas.

Como doar

A arrecadação dos alimentos vai funcionar durante os cinco dias de Carnaval. A campanha começou ontem e segue até terça-feira, dia 16. Seis locais vão receber as doações das 10h às 14h. Associação Pró-Bairro - Cidade Universitária: Rua Márcia Mendes, 702, Cidade Universitária; Portaria 5 da Unicamp: Av. José Próspero Jacobucci, 446, Parque das Universidades; Casa Pierre Montouchet/Unicamp: Rua Edna Barros Sanches, 91, Vila Santa Isabel; Academia Sérgio Cavalcante: Rua Macedo Soares, 991, Cidade Universitária; Lustres Santa Isabel: Avenida Santa Isabel, 87, Barão Geraldo; e Centro Cultural Casarão Campinas: Rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, S/N, Residencial Terras do Barão.

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Guilherme Ferraz/ Correio Popular