Publicado 15 de Fevereiro de 2021 - 12h06

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Força tarefa, composta por Prefeitura, PM, Vigilância Sanitária, Defesa Civil e Setec, autuou os organizadores de eventos irregulares

Diogo Zacarias/ Correio Popular

Força tarefa, composta por Prefeitura, PM, Vigilância Sanitária, Defesa Civil e Setec, autuou os organizadores de eventos irregulares

O fim de semana de Carnaval em Campinas começou bastante movimentado, mesmo com a folia proibida em virtude da pandemia do novo coronavírus. Nem mesmo o cancelamento dos feriados e pontos facultativos dos dias 15,16 e 17 em todo Estado impediu as aglomerações. A força tarefa montada pela prefeitura precisou dispersar cerca de 2 mil pessoas que participavam de festas clandestinas e “pancadões” entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado em diversas regiões da cidade.

Neste Carnaval atípico, a força-tarefa formada para coibir a realização de eventos irregulares prossegue vigilante

O fato preocupa as autoridades municipais de saúde, que vem lutando para manter estratégias rígidas de enfrentamento da doença na tentativa de frear a pandemia no Município. De acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de transmissão da covid-19 na cidade segue no patamar de 1.0. Ou seja, apesar de considerada baixa em relação a outros momentos da pandemia no Município, nessa faixa cada 100 pessoas infectadas têm capacidade de transmitir o vírus para outras 100.

Na cidade, até o momento, ocorreram 65.198 casos de Covid-19, com mais de 1.750 mortes pelo novo coronavírus.

Para a médica infectologista Raquel Silveira Bello Stucchi, da Universidade Estadual de Campinas, (Unicamp), garantir as ações de restrição e isolamento social são a única forma de conter o avanço da doença até que a população seja toda vacinada, e a vacina se confirme eficaz para todas as variantes do vírus.

“Não há outra maneira. As barreiras sanitárias são fundamentais. É preciso que o comportamento social seja adequado ao momento, pois a pandemia é ainda uma ameaça. E quem rompe as barreiras leva o vírus para outras pessoas”, disse.

Autuações

Os eventos autuados pela força tarefa organizada pela prefeitura encontraram irregularidades e aglomerações na região dos bairros Padre Anchieta, Ouro Verde e Campo Belo. Na região central, principalmente na Praça Bento Quirino, onde há vários bares, houve bastante movimento de pessoas mesmo após o fechamento dos estabelecimentos, mas nenhuma ocorrência foi registrada no local.

No distrito de Barão Geraldo, onde tradicionalmente ocorre concentração de pessoas nessa época do ano, a Polícia Militar aumentou o efetivo policial para conter qualquer tipo de reunião que possa caracterizar risco ao enfrentamento da pandemia. Comerciantes do distrito se mostraram aliviados com as ações impostas pela prefeitura. Para a dona de loja Talia Calanca Vieira, 36 anos, a grande aglomeração causa danos. “Nós gostamos e, inclusive, apoiamos o Carnaval do distrito, mas como vem muita gente de outras regiões, realmente a aglomeração é muito grande e as lojas sofrem consequências, com muita sujeira e até, em alguns anos, vandalismo”, disse.

Ao todo, a força tarefa criada para coibir as aglomerações registrou nove ocorrências de “pancadões” e cinco festas clandestinas pela cidade. Todas foram encerradas em ação conjunta deflagrada pela Guarda Municipal, Polícia Militar, Vigilância Sanitária, Defesa Civil, Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo e Serviços Técnicos Gerais (Setec).

No balanço, foram registradas 17 ocorrências de descumprimento de medidas sanitárias e 11 de perturbação de sossego público. Ao todo, nove multas foram aplicadas e os estabelecimentos sem alvará para funcionamento, que promoviam as aglomerações, foram lacrados.

A intensificação das ações nesse período, de acordo com o comandante da Guarda Municipal de Campinas, Márcio Frizarin, possui o objetivo de garantir o cumprimento do decreto municipal em vigor que dispõe sobre a implantação do Plano São Paulo em Campinas e define outras medidas para o enfrentamento da pandemia, entre elas, a proibição da realização de qualquer tipo de evento que estimule aglomerações.

Ainda conforme o balanço da força tarefa, cerca de mil pessoas que participavam de uma festa no Jardim Rosália, na região da Vila Padre Anchieta, foram dispersadas do local e o evento foi encerrado. No Jardim Campo Belo, na região do Aeroporto de Viracopos, 400 pessoas foram flagradas em uma festa clandestina.

No Jardim Novo Sol, região do Ouro Verde, 200 pessoas estavam na Chácara Líder e 200 na Chácara Tropical. Os dois eventos, conhecidos como "pancadões", ocorriam sem nenhum respeito às regras sanitárias exigidas. As duas festas foram encerradas e os responsáveis notificados.

Na Vila Olímpia, outro evento que reunia também cerca de 200 pessoas foi alvo da ação da força tarefa.

No total, ocorreram outras 25 autuações de trânsito e 45 orientações em relação ao descumprimento do decreto de quarentena.

Conforme o comandante da guarda, a fiscalização prosseguirá durante todo o período de Carnaval. “A fiscalização é focada também em bares e restaurantes e qualquer evento com aglomeração que não tenham alvará e não sigam as medidas da fase amarela do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena”, disse Frizarin.

Segundo ele, a população pode ajudar por meio de denúncias. Todas as ocorrências registradas pela força tarefa chegaram pelos canais de comunicação da Polícia Militar 190, Guarda Civil Municipal 153 e da Prefeitura de Campinas, pelo telefone 156.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular