Publicado 13 de Fevereiro de 2021 - 17h35

Por Correio Popular

A reivindicação popular para que o governo do Estado mantenha a unidade do Poupatempo no centro da cidade é mais do que justa. Sob a alegação de que o mundo digital atrairá a demanda de serviços para o “balcão único”, em especial nas unidades de baixa procura, a administração estadual comete uma impropriedade típica dos burocratas.

A demanda pelos serviços oferecidos pelo Poupatempo em Campinas é extraordinária. Basta acompanhar as filas formadas no Campinas Shopping, onde a unidade concentrou todas as atividades que também eram disponíveis no centro. Os burocratas creem que todos os brasileiros são números contidos num cadastro. Basta acionar os planos mirabolantes para que a população se adéque.

Mais da metade da população brasileira não está conectada, segundo o Comitê Gestor da Internet Brasil, conforme levantamento feito pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) feito no ano passado com usuários de aparelhos celulares. São 101 milhões de brasileiros conectados, número que corresponde a 83% dos usuários com idade acima de 16 anos.

A amostragem registra que 74% dos usuários pertencem às classes D e E. Ou seja, o aparelho celular de baixo custo chegou a esses segmentos da população. Contudo, a mesma pesquisa ressalta que a maioria está distantes dos serviços da internet pelos altos preços das assinaturas. Ou seja, são 47 milhões de brasileiros, classes D e E, desconectados.

Campinas é expressão desse universo. O fato de a tecnologia digital e a internet dominarem os sistemas de comunicação não significa que boa parcela da população tenha acesso pleno a essas ferramentas e as domine satisfatoriamente. Portanto, buscar os serviços do Poupatempo como os do Detran pelo celular é para poucos. E se for o “balcão único”, as filas podem ser até maiores.

Outro fato relevante que afirma a necessidade de o Estado reinstalar um posto do Poupatempo no centro é o acesso. Para o Campinas Shopping, muitos enfrentam a dificuldade do transporte e do estacionamento pago. A cidade tem uma característica urbana concêntrica, de modo a que boa parcela dos serviços públicos se encontra na área central, ainda. Nas duas últimas décadas, os serviços e o comércio se instalaram em núcleos mais distantes do centro, e o Poupatempo também. O que dificulta o acesso para muitos. É hora de o Estado e o Município darem as mãos em favor dessa justa demanda popular.

 

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