Publicado 12 de Fevereiro de 2021 - 18h09

Por Da redação

Vista geral do Campus 1 da PUC-Campinas: instituições de ensino superior da cidade começarão 2021 com aulas remotas: medida de segurança contra a pandemia

Cedoc/RAC

Vista geral do Campus 1 da PUC-Campinas: instituições de ensino superior da cidade começarão 2021 com aulas remotas: medida de segurança contra a pandemia

Na contramão das escolas das redes estadual e particular, as faculdades públicas e particulares de São Paulo não têm pressa para retomar atividades presenciais. As instituições planejam manter no modelo remoto as aulas teóricas no primeiro semestre. Entre os motivos estão a boa aceitação do ensino a distância, incertezas sobre a quarentena e a necessidade de avanço maior na vacinação.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) suspendeu no fim de janeiro as atividades presenciais em função da "piora da pandemia". Segundo o reitor Marcelo Knobel, "tudo o que puder será feito de maneira remota no primeiro semestre", mesmo com alguns avanços no quadro geral. "Temos estudantes de várias regiões do País. Como trazer uma pessoa para cá e depois, na semana seguinte, a situação muda?", questiona Knobel. Ele destaca que os estudantes de graduação, diferentemente dos alunos da educação básica, têm mais autonomia para estudar em casa.

A Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) também iniciará o ano letivo de 2021 com aulas remotas, como medida de preventiva. "A medida vale para todos os cursos da graduação e de pós-graduação, com início definido para 22 de fevereiro. Os cursos de extensão, com datas variadas, também seguirão de forma remota", informa a instituição em nota oficial.

A Faculdades de Campinas (Facamp) tem o mesmo entendimento de Unicamp e PUC-Campinas. A instituição decidiu iniciar o ano mantendo as aulas no formato remoto. "O modelo que adotamos funcionou muito bem ao longo do ano passado, e foi aprovado por nossos alunos e professores", afirma Rodrigo Sabbatini, diretor Acadêmico da Facamp. Segundo ele, a faculdade está preparada para receber sua comunidade de forma presencial, mas isso só ocorrerá quando for absolutamente seguro do ponto de vista sanitário.

A posição das instituições de ensino superior de Campinas é mais cuidadosa que o decreto do governador João Doria (PSDB), que estabeleceu que o ensino superior poderia retomar as atividades com 35% dos estudantes na fase amarela do Plano São Paulo. Nesta semana, a Grande São Paulo e outras regiões, como Campinas e a Baixada Santista, foram para essa fase.

Com início do semestre letivo marcado para abril, a Universidade de São Paulo (USP) ainda não definiu o formato das aulas. Segundo o vice-reitor, Antonio Carlos Hernandes, essa definição "depende das condições epidemiológicas e/ou da vacinação dos profissionais da educação". Por enquanto, a universidade está na fase máxima de restrições, em que as atividades devem, preferencialmente, ser remotas. O plano da USP só prevê retorno presencial para aulas teóricas de graduação na fase azul, a menos restritiva.

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Faculdades privadas calculam o ônus de oferecer classes presenciais e ter de mudar os planos no meio do semestre. Também citam boa aceitação dos alunos ao modelo remoto. Na Unip, o semestre começou na terça-feira. Não há previsão de retorno presencial das classes teóricas e as práticas voltam no fim do mês. "Os alunos precisam de estabilidade para poder planejar seus estudos e suas vidas", informou a Unip.

Outras adiaram para março o início do semestre, que começaria tradicionalmente em fevereiro, à espera de definições. "Algumas estão começando, mas com aulas remotas", diz Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior. Cursos teóricos devem continuar remotos no primeiro semestre.

É o que deve ocorrer na FGV, que pretende chamar só pequenos grupos, de modo não obrigatório. "Após a segunda dose de vacinação, que cubra pelo menos 70% da população, o ensino poderá ser remoto, presencial ou híbrido", diz o pró-reitor da FGV de Ensino, Pesquisa e Pós, Antonio Freitas.

Aluno de Administração Pública na FGV e Educomunicação na USP, Tiago Cesar dos Santos, de 24 anos, estudou quase o ano inteiro pelo computador e deve fazer o mesmo agora. "No começo foi complicado me adaptar. Meu espaço de estudo é muito restrito, moro na favela, minha internet não era boa", diz ele, que trancou disciplinas na FGV que considerava mais difíceis de acompanhar no modelo remoto, como Estatística. "Gostaria de voltar, mas com cuidados muito grandes porque sou do grupo de risco".

A Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) também diz "acompanhar a evolução da cobertura vacinal" e informou que só pretende permitir atividades em formato híbrido em março. Na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), que recomeça dia 1.º, o retorno também deve ser online.

Universidades federais também não devem ir para o presencial. "A tendência, pelo menos para o primeiro semestre, é de predomínio de atividades remotas", diz Edward Madureira Brasil, presidente da Andifes, entidade que reúne os reitores da rede federal de ensino.

Juliana Rodrigues, de 24 anos, deve concluir neste semestre Gestão Financeira na Uninove pela tela do computador. Ela notou evasão no formato. "Muitos colegas não se adaptaram, perderam o emprego e outros não tinham estrutura."

Já Marcos Rocha, de 29 anos, diz ter "virado a casaca" para o modelo a distância depois da experiência, nos últimos meses, de fazer MBA sem ir à ESPM. "Pegar transporte público em horário de pico não compensa. No home office, posso jantar, fazer outras coisas, não fico mais preso", diz ele, que trabalha e estuda em casa. "Antes, pensava que não ia me adaptar. Mas, como a faculdade ofereceu suporte, hoje não sei se voltaria ao curso presencial".

Aulas híbridas

Com maioria de cursos de Engenharia, o Instituto Mauá prevê prioridade a atividades práticas presenciais na fase amarela - o semestre letivo começa dia 18 para os veteranos. Já as aulas teóricas se mantêm remotas.

"Na medida em que avançarmos de fase e pudermos ter mais alunos no campus com segurança, teremos também aulas híbridas, lecionadas presencialmente e transmitidas online, de forma sincronizada." Já o Insper retomará as aulas em formato híbrido no dia 22, se a capital continuar na fase amarela. No ano passado, o Insper começou a adotar o formato híbrido, com parte da turma em sala e aula online para os de casa. Poucas faculdades, porém, usam esse modelo. A maior parte das instituições dá aulas em plataformas como o Zoom, com professores e alunos em casa. (Com Agência Estado).

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