Publicado 08 de Fevereiro de 2021 - 11h37

Por Correio Popular

A decisão dos professores da rede estadual de Ensino em favor de uma “greve sanitária”, como afirmam, evidencia a expansão dos conflitos gerados pela pandemia da covid-19. Desde que o PSDB assumiu o governo do Estado em 1995, com o mandato do engenheiro Mário Covas, os professores canalizam via Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP demandas nem sempre respondidas pelos governadores.

Reclamar cuidados rigorosos para conter a pandemia é ato justo e responsável. Em especial quando se trata de proteger os docentes e os estudantes.

Pressionado, porém, por vários segmentos, o governador João Doria (PSDB) adota medidas necessárias para tentar o retorno às aulas presenciais. As aulas remotas num cenário pandêmico não apresentam os melhores desempenhos como em aulas presenciais. A adoção abrupta, desde março do ano passado, dos recursos digitais, da internet e de acessórios diversos para substituir o ensino em sala de aula física trouxe um impacto que ainda está sob estudos para aferir as consequências na formação do estudante. E por enquanto não são das melhores.

A Apeoesp aponta e realça a carência de computadores para as unidades escolares e para todos os alunos e familiares, o que impossibilita a universalidade do ensino. O governo responde com esforços adicionais à rotina anterior da Secretaria da Educação e das Coordenadorias e estabeleceu o limite de 35% de ocupação das salas de aula. A Apeoesp contradiz a medida ao apontar que várias unidades de ensino carecem de funcionários de limpeza e de infraestrutura para atender aos estudantes por via remota. E destaca que identificou 147 casos de covid-19 entre docentes, muitos dos quais com idade acima de 60 anos.

A subsecretaria de Articulação Regional da Secretaria da Educação do Estado reafirma, contudo, o plano do retorno às aulas presenciais. Argumenta sobre o “desconforto”causado pelo ensino remoto e informa que não há indícios de contágio nos ambientes físicos das unidades escolares. E inclui um pronome condicional na frase ao dizer que “se” as pessoas seguirem as medidas preventivas, como uso de máscaras e distanciamento, o índice do contágio será pequeno.

É exatamente nesse aspecto que a decisão da Secretaria da Educação é fragilizada. Esperar que todos os familiares dos alunos adotem as medidas é falacioso. Governo e professores têm, nesse cenário, obrigação de conversar e encontrar ações comuns e eficazes para evitar que a disputa ideológica ou a de poder traga mais prejuízos à Educação.

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