Publicado 05 de Fevereiro de 2021 - 12h00

Por Erick Julio

<CJ3>Pais e professores s?o recebidos na Escola Estadual Adalberto Nascimento para tomar conhecimento das medidas de seguran?a adotadas com vistas ? retomada do ano letivo, na segunda-feira: medo de contamina??o por covid-19 ? grande entre parte da comunidade escolar

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Pais e professores s?o recebidos na Escola Estadual Adalberto Nascimento para tomar conhecimento das medidas de seguran?a adotadas com vistas ? retomada do ano letivo, na segunda-feira: medo de contamina??o por covid-19 ? grande entre parte da comunidade escolar

Pais de alunos da rede estadual de ensino, cujo ano letivo está marcado para ter início na próxima segunda-feira, dia 8, estão preocupados com a saúde dos filhos em virtude do surgimento ao longo desta semana de vários casos confirmados e suspeitos de covid-19 em escolas públicas e particulares de Campinas. Alguns deles manifestaram dúvidas se devem ou não autorizar os estudantes a retomarem as atividades presenciais, frente ao risco de também serem contaminados pelo novo coronavírus. A Diretoria Regional de Ensino informa que a volta às aulas será feita de forma escalonada e que todos os cuidados sanitários serão adotados para garantir o bem-estar da comunidade escolar.

Luciana Marcon Junqueira, 53 anos, confessa que está bastante amedrontada com o atual cenário. "Estamos todos muito perdidos com essa situação de vaivém criada pelo governo de São Paulo. Os casos [DE COVID-19]estão aumentando e eu mesmo ainda vivo uma situação complicada, pois vi de perto o perigo desta pandemia. Meu pai de 77 anos faleceu da doença recentemente. Eu andei por vários hospitais para procurar vaga para ele. Foi muito difícil", conta a dona de casa, que é mãe do Matheus, de 13 anos.

Ainda em luto, Luciana visitou a Escola Estadual Adalberto Nascimento, no bairro Taquaral, na manhã de ontem, para acompanhar como o colégio está se preparando para receber os alunos na segunda-feira. Acompanhada do filho, ela mencionou o recente surto de covid-19 nas escolas de Campinas: "Eu tenho medo de acontecer na escolas estaduais o que aconteceu nas particulares. Aqui, a unidade está tomando todo o cuidado e a organização é ótima. Mas, infelizmente, o vírus vai além disso", pondera.

O sentimento de Luciana é compartilhado por outros pais como, o microeempresário Claudemir Cerone, de 61 anos, que acredita que "não é o momento" para a volta das aulas presenciais. Segundo ele, o governo poderia esperar o avanço da vacinação. "Eu acho que agora que começaram a aplicar as vacinas, seria recomendável esperar um pouco mais para todos termos segurança. No fim das contas, não são os alunos que estão transmitindo ou pegando a doença. A maioria dos casos acontece entre os adultos", diz.

Mireliana de Farias Noronha, 36 anos, vive uma situação ainda mais complicada. A mãe revela preocupação com a possibilidade de transmissão do vírus entre os três filhos. "Eu estou com medo pela minha filha adolescente, de 13 anos, que volta para as aulas presencias e pelo meu filho, Isaac, que tem asma e pertence ao grupo de risco. Ele pode pegar covid-19 e ficar com a saúde comprometida", infere.

Embora reconheçam os esforços dos professores e funcionários das escolas, os pais não pouparam críticas aos governos estadual e federal. Para Luciana, o Estado de São Paulo contribuiu para deixar os pais ainda mais apreensivos por conta das mudanças constantes das medidas de isolamento. "A pandemia continua, e até pior do que antes. Até o governador [JOÃO DORIA] está perdido, porque manda fechar e depois manda abrir. Ele só confunde ainda mais a gente. Não era o momento de voltar", critica.nacio

Já Rita Cássia Moraes Lopes, 46 anos, acredita que, por falta de controle, a pandemia se alastrou por todo o Brasil. Mãe do estudante Pietro, 10 anos, ela entende que o país não soube se preparar para o avanço da covid-19. "Não dá vontade de mandar o filho para a escola. A gente vai mandar, mas com muita insegurança e medo. Eu falo sempre para ele que é preciso seguir as regras sanitárias, usar máscara, lavar as mãos e evitar contato. O Brasil não soube lidar com a pandemia e tudo por culpa dos governantes, principalmente do presidente Jair Bolsonaro".

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