Publicado 04 de Fevereiro de 2021 - 14h42

Por Da redação

M?e de aluna em frente ao port?o da escola estadual Joaquim Ferreira Lima, na Vila 31 de Mar?o: professora apresentou sintomas da covid-19 durante as a?es de planejamento

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M?e de aluna em frente ao port?o da escola estadual Joaquim Ferreira Lima, na Vila 31 de Mar?o: professora apresentou sintomas da covid-19 durante as a?es de planejamento

Os casos de transmissão e contágio da covid-19 no ambiente escolar continuam assustando a comunidade docente, funcionários e familiares de alunos em Campinas. No início da semana, duas escolas particulares interromperam as atividades por causa da contaminação pelo coronavírus. Ontem, mais duas instituições, uma particular e outra estadual, também informaram enfrentar o problema. No caso da escola estadual, o contágio se deu durante a etapa de planejamento para o reinício das aulas, previstas para acontecer no próximo dia 8. O caso ainda é tratado como suspeita.

Diante dos fatos, o promotor de justiça Rodrigo Augusto de Oliveira, do Ministério Público de São Paulo, instaurou, na capital paulista, uma investigação para acompanhar os casos em Campinas. Segundo o Ministério Público, a investigação busca detalhes sobre os fatos nas escolas, sobre os protocolos de segurança sanitária adotados e sobre as ações de prevenção. Foi fixado prazo de dez dias para o envio das respostas.

A infecção pela covid-19 nas escolas particulares da cidade aconteceu pouco mais de uma semana após o reinício do ano letivo, mesmo com as instituições mantendo esquema de rodízio de alunos para evitar aglomerações. No Instituto Educacional Jaime Kratz, 39 pessoas foram contaminadas, entre professores, alunos e funcionários. O colégio possui 1,3 mil alunos do ensino fundamental.

No Colégio Farroupilha, uma professora e uma aluna também testaram positivo para a doença. A escola suspendeu as aulas. As duas instituições divulgaram comunicados informando pais e alunos sobre os casos de covid-19 e sobre os protocolos de desinfecção.

Novos casos

Os novos casos ocorreram um na rede estadual e outro na particular, com a escola Múltiplo, que atende 500 alunos, em Campinas. A escola precisou afastar uma professora que testou positivo para a doença. Agora, ao todo, 43 casos de covid-19 foram registrados no ambiente escolar na cidade.

A escola estadual Joaquim Ferreira Lima, na Vila 31 de Março, também afastou uma professora e outros funcionários. Segundo informações da Secretaria de Estado de Educação, o protocolo de afastamento ocorreu após a professora apresentar sintomas da doença durante as ações de planejamento para o reinício do ano letivo, previsto para a próxima semana.

Nessa etapa, os professores se reúnem para discutir o calendário e realizar o treinamento de segurança para aplicação dos protocolos sanitários para conter a covid-19 no ambiente escolar. Todos os funcionários que foram afastados ficarão em teletrabalho até cumprirem a quarentena para poderem voltar em segurança para a escola.

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, informou ainda que não recebeu notificação sobre a situação da escola da rede estadual. Mas, que acompanha os demais casos envolvendo a contaminação pelo coronavírus nas escolas particulares.

Para a presidente do Sindicato dos Professores de Campinas e Região (Sinpro), Conceição Fornasari, os casos de contaminação no ambiente escolar devem aumentar ainda mais com o reinício das aulas na rede estadual.

“As denúncias têm aumentado muito no sindicato. As escolas particulares já estão funcionando e as públicas realizando planejamento. Temos recebido cerca de 12 denúncias por dia e vamos tomar todas as providências. Até mobilizar os professores para uma paralisação, se for o caso”, disse.

Susto

A contaminação assusta familiares e pais de alunos que estão receosos de enviar seus filhos para a escola. A dona de casa Aline Aparecida da Cruz, 30 anos, mãe do aluno da escola estadual Joaquim Ferreira Lima, disse que já decidiu manter a sua filha em casa, distante da escola.

“Cheguei no portão da escola para participar de uma reunião convocada pela professora via whatsapp, e fui informada de que a escola estava fechada por conta da covid-19. A gente fica preocupada. Temos pessoas do grupo de risco em casa”, afirmou.

A aposentada Rosângela Aparecida, 57 anos, avó de outra aluna matriculada no colégio estadual, disse temer pela saúde da família ao permitir que a neta retorne para as aulas presenciais. “Eu e meu marido somos do grupo de risco, não podemos arriscar nossas vidas”, afirmou.

A operadora de loja Gilvania Maria da Silva, 33 anos, observou que a suspeita de contaminação pela covid-19 entre professores da escola estadual só reforçou a decisão de não enviar as duas filhas para escola. “Me sinto 100% insegura. Se já é difícil para os adultos cumprirem as normas sanitárias, imagina para as crianças. Os riscos são muito grandes”, disse.

Para a pedagoga Marina Azevedo, diretora da escola Múltiplo, onde um caso de covid-19 foi detectado, os riscos de contaminação vem de todos os lados. “Testamos aqui professores e funcionários e seguimos todos os protocolos de segurança e aconteceu. Nada garante que não vai haver riscos de novas contaminações”, pondera.

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