Publicado 27 de Fevereiro de 2021 - 12h50

Por AFP

Nem salas nem tapete vermelho. A Berlinale começa na segunda-feira de maneira virtual, com 15 filmes na disputa pelo Urso de Ouro, um festival que permitirá medir o pulso da indústria do cinema, duramente afetada pela pandemia.

Apenas o júri, reunido no mesmo hotel de Berlim, terá acesso a uma sala de exibição, onde todos respeitarão o distanciamento. Um dos seis membros, o iraniano Mohammad Rasoulof, vencedor do Urso de Ouro em 2020, terá que assistir os filmes em Teerã, onde o governo mantém o diretor dissidente em prisão domiciliar.

Em sua 71ª edição, o primeiro grande festival de cinema do ano na Europa reduziu o tempo de duração de 10 para cinco dias, mas almeja celebrar uma segunda parte aberta ao público em junho, principalmente com exibições ao ar livre.

Entre os destaques do festival estão "Petite Maman", da francesa Céline Sciamma, premiada em Cannes por exitoso "Retrato de uma Jovem em Chamas", o novo trabalho da alemã Maria Schrader, que está por trás da série "Unorthodox", e a estreia como diretor do ator alemão Daniel Brühl (de "Adeus, Lênin!").

O romeno Radu Jude, premiado em 2015 por "Aferim", retorna à mostra oficial com "Bad Luck Banging or Looney Porn" sobre uma professora filmada em uma "sextape" divulgada na internet.

Todos os filmes na disputa pelo Urso de Ouro foram rodados ou finalizados durante a pandemia, o que resultou em produções "muito pessoais", segundo o diretor artístico do festival, Carlo Chatrian.

"Todos falam da incerteza em que vivemos e a sensação de temor é onipresente", completou.

Pela primeira vez, o festival de forte caráter social atribuirá um prêmio de interpretação "sem gênero", ao invés das categorias de melhor ator e atriz, uma novidade entre os grandes eventos cinematográficos internacionais.

Fora da disputa pelo Urso de Ouro, que será anunciado na sexta-feira, será exibido o documentário "Tina", da cadena HBO, sobre a cantora Tina Turner.

Na mostra Panorama, o documentário brasileiro "A Última Floresta", de Luiz Bolognesi, apresentará um retrato dos índios yanomamis na Amazônia.

A Berlinale segue o exemplo de festivais como Toronto, que aconteceu de modo principalmente on-line. A edição 2021 de Sundance (Estados Unidos) combinou o formato com projeções em drive-ins e pequenas salas independentes.

O Festival de Cannes, cancelado no ano passado, continua apostando em uma edição presencial, mas adiou a data, de maio para julho. Mas a organização não descarta um novo adiamento caso não existam as condições sanitárias adequadas.

"Os festivais estão experimentando com os formatos enquanto dura a pandemia", declarou à AFP Scott Roxborough, diretor para a Europa da revista The Hollywood Reporter, cético a respeito da aposta virtual.

"O perigo é que nem os críticos se entusiasmem assistindo os filmes de casa", completa.

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