Publicado 27 de Fevereiro de 2021 - 10h10

Por AFP

Da ajuda aos profissionais de saúde até a distribuição de refeições nas ruas ou a recuperação de computadores para estudantes pobres, os portugueses intensificam a generosidade durante a crise social provocada pela epidemia de coronavírus, mas as necessidades não param de aumentar no país.

As vans estacionadas diante do hospital Santa Maria de Lisboa, o maior de Portugal, se transformaram no quartel-general de alguns dos 450 voluntários mobilizados em todo o país por Ricardo Paiágua, fundador da associação "Os Solidários".

"O Estado não tem dinheiro para tudo. Precisamos ajudar uns aos outros", declarou à AFP o empresário de 38 anos, que atua nas áreas de marketing e publicidade.

Comovido com as imagens de ambulâncias em fila diante dos hospitais saturados com a explosão de casos de covid-19 no fim de janeiro, ele fez um apelo a sua rede de contatos para disponibilizar aos profissionais de saúde dezenas de vans para que conseguissem descansar ou comer um sanduíche preparado por voluntários.

Um anfiteatro doado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa permite à associação armazenar as doações feitas como agradecimento aos profissionais da saúde por sua dedicação: bebidas e barras de cereais, produtos de higiene, além de colchões e computadores antigos.

Graças ao confinamento imposto desde meados de janeiro, a pressão sobre os hospitais diminuiu e, em consequência, Ricardo Paiágua e seus voluntários começaram a recolher computadores para as crianças que não têm o dispositivo, enquanto as escolas passam ao ensino à distância.

Com o mínimo de formalidades, Elisabete Evora, uma estudante de 15 anos, passa com o irmão mais velho para pegar um laptop.

"Vou usar para a escola. Até agora só tinha um telefone celular velho", explica.

Nos subúrbios do sul de Lisboa, Eva Medeiros e um grupo de 15 voluntários preparam 500 refeições em suas próprias cozinhas, que distribuem a cada quarta-feira em uma praça do centro da capital.

Esta imigrante brasileira de 35 anos, massagista e esteticista que vive em Portugal há uma década, criou em 2018 os "Amigos da Rua" para ajudar os sem-teto.

Mas com a crise de saúde, o perfil dos beneficiários mudou e o número de refeições dobrou.

"Se as pessoas estão com fome, vamos alimentá-las. Neste momento vemos muitas famílias que perderam os empregos por causa da pandemia", explica.

Este é o caso de José Antonio, um desempregado de 51 anos que, até o primeiro confinamento de março do ano passado, vivia de trabalhos informais.

"Venho todas as semanas, inclusive quando chove. Não há trabalho, então tenho que sobreviver", explica à AFP depois de atravessar a cidade de bicicleta para comer um prato de macarrão com frango.

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