Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 19h24

Por AFP

Gianinna e Jana, duas filhas de Diego Maradona, ampliaram seus depoimentos nesta sexta-feira perante a promotoria argentina que investiga se houve negligência no atendimento médico antes da morte da lenda do futebol, no dia 25 de novembro de 2020.

As duas compareceram perante o Ministério Público de San Isidro, que as convocou para ouvi-las sobre "questões específicas que surgiram durante a investigação", disse uma fonte da promotoria citada pela agência oficial Telam.

No caso aberto por homicídio culposo (involuntário), sete profissionais são acusados, entre eles o neurocirurgião Leopoldo Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov, além de um psicólogo e dois enfermeiros.

Aos réus se somaram esta semana o coordenador de uma empresa privada de enfermagem e um médico nomeado pela empresa privada de medicamentos para coordenar a internação domiciliar de Maradona nos dias anteriores ao seu falecimento, aos 60 anos.

Gianinna, de 31 anos, uma das duas filhas que "El Diez" teve com sua ex-mulher Claudia Villafañe, chegou à promotoria na sexta-feira passada ao meio-dia, ao volante de seu carro e acompanhada por seu advogado e após três horas, se retirou sem dar qualquer declaração, confirmaram jornalistas da AFP.

Em seu primeiro depoimento no dia 28 de novembro, três dias após a morte de seu pai, Gianinna disse que Luque era o "médico de família" do ex-jogador.

Ela também disse que a última vez que visitou Maradona notou "muito inchaço" e que "semanas antes de sua morte ele apresentava uma deterioração física e cognitiva".

Por sua vez, Jana, de 24 anos, declarou naquele dia que "Luque era o responsável por tudo o que dizia respeito à saúde" do ex-craque e que quando foi analisada a possibilidade de se fazer uma internação domiciliar "foi dito literalmente e várias vezes que ia ser sério, com enfermeiros 24 horas por dia, 7 dias por semana, com especialistas, com uma ambulância à sua disposição".

Filha de Valeria Sabalain e que Maradona reconheceu aos 12 anos, ela depôs após a saída da irmã e também se retirou sem falar com a imprensa.

As filhas foram convocadas após a constatação nos laudos periciais de dois telefones de Maradona que elas participavam de um grupo de WhatsApp junto com os profissionais que o atenderam nos últimos dias de sua vida.

A promotoria também convocou para o dia 8 de março uma junta médica em La Plata, com os médicos que realizaram a autópsia e outros especialistas para tentar apurar se houve negligência no atendimento.

Enquanto isso, há queixas e reclamações cruzadas entre os irmãos e especialmente contra o advogado Matías Morla, último representante e amigo do astro, para quem ficou a marca Maradona e que administrava o entorno e a privacidade do ex-craque nos últimos anos.

Maradona morreu no dia 25 de novembro, 26 dias após seu 60º aniversário, em uma casa alugada especialmente para sua recuperação na cidade de Tigre, ao norte de Buenos Aires.

O campeão mundial de 1986 no México foi operado de um hematoma na cabeça no dia 3 de novembro e, 8 dias depois, foi transferido para a casa onde faleceu.

As investigações sugerem que ele passou suas últimas horas sozinho em seu quarto, sem ninguém entrar para ver e controlar seu estado de saúde.

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