Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 18h40

Por AFP

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, condenou na noite desta sexta-feira o sequestro de mais de 300 adolescentes ocorrido no noroeste do país e declarou que não cederá "à chantagem de bandidos".

Por volta da 1h de hoje, "bandidos" - como são chamados na gíria local os grupos que aterrorizam a população, roubam gado e promovem saques em aldeias - chegaram em automóveis e invadiram os dormitórios do internato de Jangebe, no estado de Zamfara. Ao menos 317 jovens foram levadas da escola, localizada no noroeste do país, onde os sequestros em massa de estudantes se multiplicam.

"Este governo não cederá à chantagem de bandidos que atacam estudantes inocentes com a expectativa de receber resgates enormes", afirmou o presidente nigeriano. O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu "a libertação incondicional e imediata" das jovens.

A segurança é cada vez mais precária e a população tem que se defender sozinha. Uma multidão atacou nesta tarde a comitiva de autoridades locais que se dirigia ao local do sequestro, apedrejando dois veículos, informou o repórter do jornal local "Daily Trust" Umar Shehu, que acompanhava a comitiva. Um cinegrafista ficou ferido.

Cerca de 50 alunas conseguiram fugir durante o sequestro. Uma equipe das forças de segurança foi enviada a Jangebe para ajudar na operação de resgate, informou a polícia local.

O sequestro de hoje foi a mais recente de uma série de ações semelhantes orquestradas no centro e noroeste da Nigéria por grupos criminosos. Na semana passada, cerca de 40 pessoas (incluindo 27 estudantes) foram sequestradas em Kagara, centro-oeste do país, e 344 adolescentes foram vítimas do mesmo crime em dezembro, na localidade de Kankara, estado de Katsina.

No caso mais recente, o presidente nigeriano lançou uma operação de resgate, mas os reféns ainda não foram libertados. No caso dos adolescentes de Kankara, eles foram soltos após uma semana de cativeiro e negociações entre os criminosos e os governos locais. A situação provocou uma comoção mundial e recordou o sequestro de mais de 200 adolescentes pelo grupo Boko Haram, em Chibok (nordeste), em 2014.

Os criminosos são estimulados pelos pedidos de resgate, mas alguns têm vínculos com grupos jihadistas presentes no nordeste da Nigéria. Eles se escondem com frequência na floresta de Rugu, que passa por quatro estados: Katsina, Zamfara, Kaduna e Níger.

Há vários anos, praticam sequestros em troca do pagamento de resgate e atacam vilarejos, ou ônibus nas estradas. Nos últimos meses, intensificaram os ataques contra as escolas.

Para estes grupos, "o meio mais simples de conseguir dinheiro do governo agora é sequestrar estudantes", afirmou Idayat Hassan, diretora do Centro para a Democracia e o Desenvolvimento, após o sequestro de Kagara. "O governo deve garantir a segurança das escolas de maneira urgente (...) porque, em caso contrário, os sequestros de Chibok e Kankara estimularão outros a agirem de maneira pior", completou.

Embora as autoridades não confirmem o pagamento de resgates, o presidente convocou as autoridades locais e regionais a revisarem "sua política de recompensar os bandidos com dinheiro e automóveis". A violência desses grupos já deixou mais de 8.000 mortos desde 2011 e forçou mais de 200.000 pessoas a fugirem de suas casas, de acordo com um relatório do Crisis Group (ICG) publicado em maio de 2020.

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