Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 17h40

Por AFP

Os últimos compromissos climáticos dos países signatários do Acordo de Paris estão "muito longe" dos objetivos de conter o aquecimento global, denunciou a ONU nesta sexta-feira (26).

"Em 2021, teremos sucesso ou fracassaremos diante da emergência climática global. A ciência é clara, para limitar o aumento das temperaturas a 1,5ºC devemos reduzir as emissões em 45% até 2030 em relação a 2010", declarou em nota o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Mas o relatório provisório em que a ONU avaliou os compromissos climáticos registrados no Acordo de Paris representa um "alerta vermelho para o nosso planeta", segundo Guterres.

Os países que assinaram o pacto climático de 2015, que visa limitar o aquecimento a +2°C em relação à era pré-industrial e, se possível, a +1,5°C, deveriam apresentar seus compromissos revisados, os chamados NDC, antes de 31 de dezembro.

Mas apenas 75 dos cerca de 200 países o fizeram, que representam 30% das emissões globais. Segundo a ONU, o impacto combinado dessas novas contribuições representaria menos de 1% da redução de emissões em 2030 em relação a 2010. Muito distante dos 45% necessários para cumprir a meta de +1,5ºC, segundo especialistas climáticos da ONU (IPCC).

"É incrível pensar que enquanto os países enfrentam uma emergência que pode até erradicar a vida humana neste planeta e que apesar de todos os estudos, relatórios e alertas de cientistas de todo o mundo, muitos países permanecem no "status quo"", lamentou a autoridade climática da ONU, Patricia Espinosa.

"Os principais países emissores devem apresentar metas mais ambiciosas de redução de emissões para 2030 em suas contribuições nacionais bem antes da COP26 em Glasgow, Escócia, em novembro", de acordo com Guterres.

A ONU apresentará um novo relatório de avaliação dos NDC antes desse encontro.

Espera-se principalmente uma contribuição da China, que prometeu atingir a neutralidade de carbono até 2060, mas não apresentou uma nova meta, e dos Estados Unidos, cujo novo presidente, Joe Biden, estabeleceu o combate ao aquecimento como uma das prioridades do seu governo e acaba de assinar a volta do país ao Acordo de Paris.

O planeta teve um aumento de pouco mais de 1°C até agora, o que gerou a multiplicação de eventos climáticos extremos, de ondas de calor a inundações.

Especialmente vulneráveis, os países insulares relataram uma "chocante falta de diligência e ação" por parte dos grandes emissores. Flertamos perigosamente com o limite de 1,5°C. Nossos pequenos Estados insulares pagarão o preço se a meta não for respeitada", alertou Aubrey Webson, presidente da AOSIS, o grupo que os representa.

Apesar das críticas, Helen Mountford, do World Resources Institute, destacou países que propõem "metas ousadas" - como Reino Unido, Argentina e os da UE - "ofuscados" no relatório de avaliação da ONU por "aqueles que ficaram para trás", como Brasil, Rússia, Austrália e México.

Espinosa destacou que a pandemia "não interrompeu a emergência climática" e pediu aos países que aproveitem a retomada econômica para acelerar a transição ecológica.

"Não podemos voltar aos nossos velhos hábitos (...) e os grandes países emissores, especialmente os países do G20, devem dar o exemplo", alertou.

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