Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 16h30

Por AFP

O presidente da Colômbia, Iván Duque, anunciou nesta sexta-feira (26) a entrada em operação de um comando de elite de 7.000 militares que perseguirá os rebeldes financiados pelo narcotráfico e outras atividades, enquanto enfrentará o terrorismo transnacional.

Cercado por helicópteros, tanques de guerra e centenas de soldados, o presidente descreveu a criação dessa força como "histórica".

"Nasceu com o propósito de quebrar, golpear e subjugar as estruturas do narcotráfico e das ameaças transacionais ligadas à exploração ilegal de minérios, ao tráfico de espécies, de pessoas e, claro, qualquer forma transnacional de terrorismo", declarou eufórico Duque no forte militar de Tolemaida (centro).

O presidente garantiu que o comando perseguirá "sem pensar" o Exército de Libertação Nacional (ELN), última guerrilha ativa reconhecida na Colômbia, as gangues do narcotráfico, além de ex-guerrilheiros das Farc que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016.

"Soldados! É uma luta moralmente necessária, moralmente correta (...) Vamos pela defesa da Colômbia!", declarou.

Embora desta vez não tenha se referido à Venezuela, ao anunciar este comando, no dia 8 de fevereiro, o presidente garantiu que suas tropas perseguiriam "alvos de alto valor" que encontraram refúgio naquele país com a suposta cumplicidade do governo chavista.

O presidente não mencionou uma ação direta ou encoberta em território venezuelano.

No entanto, o presidente Nicolás Maduro negou as acusações na época e pediu às suas Forças Armadas que limpassem os "canos dos fuzis" e se preparassem para "responder se Iván Duque ousar violar a soberania" de seu país.

Em 2008, a Colômbia ordenou uma operação que matou um dos líderes da extinta guerrilha marxista em solo equatoriano, o que desencadeou uma grave crise diplomática com Quito.

O alto comando militar da Colômbia afirma que atualmente cerca de 1.400 membros dos grupos armados que enfrenta se deslocam dos dois lados da fronteira de 2.200 quilômetros.

Caracas rompeu relações com Bogotá em fevereiro de 2019, depois que o presidente Iván Duque reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino daquele país.

Dissidentes, ELN e gangues de narcotraficantes de origem paramilitar lutam atualmente pelas rotas de exportação de cocaína, mineração ilegal e extorsão na Colômbia, que atravessa a pior onda de violência desde o desarmamento das FARC.

A força de elite será comandada pelo Brigadeiro General Juan Carlos Correa.

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