Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 11h10

Por AFP

"Devemos nos considerar com sorte por receber alguma vacina", diz o aposentado Laszlo Cservak em frente a um centro de vacinação em Budapeste, esclarecendo dúvidas sobre o imunizante contra a covid-19 do laboratório chinês Sinopharm, que é administrado na Hungria desde quarta-feira (24).

Diante da "lentidão" do processo de Bruxelas, o primeiro-ministro Viktor Orban encomendou milhões de doses de vacinas contra o coronavírus da Rússia e da China, tornando a Hungria o único país dos 27 a desafiar as regras da União Europeia.

Mas, embora a mídia pró-governo elogie os méritos das vacinas russa, Sputnik V, e chinesa, Sinopharm, ambas são rejeitadas por muitos húngaros, de acordo com pesquisas de opinião.

Os húngaros tentem a preferir os imunizantes validados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), ou seja, Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca.

Para este aposentado de 75 anos, que espera sua vez ao lado de outros entusiastas, este ceticismo é totalmente injustificado.

"A culpa é de certos meios de comunicação de massa que semeiam incertezas e então as pessoas hesitam em escolher vacinas não ocidentais", ironiza ele sobre as 10 milhões de pessoas que se consideram "especialistas".

Até agora, a Hungria recebeu 550.000 doses de Pequim, que foram imediatamente distribuídas aos médicos de família.

Outro milhão está previsto para março e abril, e outras 3,5 milhões em maio, segundo dados do governo.

Os responsáveis da Sinopharm garantem uma eficácia de 79%, mas os dados sobre os quais se baseiam não foram publicados.

Dada a falta de informação, alguns profissionais da saúde estão relutantes em administrar essa vacina a seus pacientes, noticiou a imprensa local na quinta-feira (26).

A Associação de Médicos MOK estimou, no início de fevereiro, "não poder, em consciência, recomendar o uso deste produto aos seus membros", por falta de documentação suficiente.

O Centro Nacional de Saúde Pública (NNK) foi em frente, porém, e deu sua aprovação final na semana passada.

A dra. Emese Bone afirma ter recebido pouca rejeição de seus pacientes. "Cerca de 70% das 67 pessoas da minha lista concordaram em vir", relata e, destas, "apenas um punhado estava preocupado com a falta de aprovação da EMA".

Entre os relutantes, "algumas pessoas mais velhas, preocupadas com os efeitos colaterais, preferem esperar, embora pensem que qualquer coisa seja melhor do que contrair a covid-19".

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