Publicado 26 de Fevereiro de 2021 - 8h50

Por AFP

Os líderes europeus iniciaram, nesta sexta-feira (26), o segundo e último dia de uma cúpula virtual, concentrados em como fortalecer a autonomia estratégica do bloco diante das ameaças à segurança, à luz de um novo relacionamento com Washington.

"Estou convencido de que a nova administração do presidente [Joe] Biden oferece uma oportunidade única para renovar a forte aliança entre a Europa e os Estados Unidos", afirmou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, na abertura dos trabalhos.

Na opinião do belga, "uma parceria forte requer parceiros fortes. Portanto, uma União Europeia forte representa uma Otan mais forte".

Por sua vez, o secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, declarou por videoconferência que a aliança militar partilha com a UE "quase a mesma população, os mesmos membros e os mesmos desafios".

"Isso torna absolutamente claro que devemos trabalhar juntos", acrescentou.

Para Stoltenberg, "todos enfrentamos as mesmas ameaças, e nem a Europa nem os Estados Unidos podem enfrentá-los sozinhos".

"Queremos promover a adaptação e preparação da União Europeia para enfrentar de forma eficaz as ameaças e desafios no âmbito da segurança", ressaltaram os dirigentes num rascunho de conclusões, consultado pela AFP.

Os europeus, em particular, insistem em fortalecer as parcerias com a ONU, UE, Estados Unidos e Otan.

"Esta cooperação global se beneficiará de uma UE mais forte", argumentam no documento.

Vários líderes europeus promovem uma visão baseada na "autonomia estratégica" da UE em matéria de segurança e defesa.

Uma autoridade europeia observou, porém, que a capacidade "da UE de agir de forma autônoma preocupa os países membros na linha de frente contra a Rússia, porque temem uma desconexão europeia da Otan".

Essas preocupações "são reforçadas pelo questionamento da existência da Otan por alguns líderes nos Estados Unidos e na Europa", aponta.

O presidente francês Emmanuel Macron disse em uma entrevista há uma semana que a Otan deveria "ser revisada, porque a aliança foi projetada para enfrentar o Pacto de Varsóvia, e o Pacto de Varsóvia não existe mais".

Vários ex-signatários desse pacto militar, aliados da União Soviética, são agora membros da própria União Europeia ou candidatos e fazem parte da Otan.

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